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Cultura

Ana Silva expõe “vestir memórias” no Instituto Camões

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O Camões – Centro Cultural Português, em Luanda, inaugura, no dia 15 de Dezembro, quinta-feira, às 17h30, a exposição de artes plásticas, VESTIR MEMÓRIAS, da artista Ana Silva, com curadoria de Filipa Oliveira, que estará patente até ao dia 10 de Janeiro de 2023.

O trabalho de Ana Silva (Luanda, 1969) é sempre muito pessoal, profundo e delicado. Parte da sua vivência pessoal em Angola para fazer uma reapropriação quer das tradições – como a cerimónia do pedido oficial de noivado, o Alambamento – quer das vivências quotidianas das mulheres angolanas.

Ana Silva desenha, através do bordado, histórias de mulheres angolanas, celebrando as suas vidas e o seu trabalho. No âmbito do seu percurso artístico, a utilização da linha que borda constitui-se como um eixo estruturante. Faz referência aos lavoures femininos e a uma economia doméstica. Saberes e tradições que são transmitidos entre gerações e que transportam consigo não apenas uma memória pessoal, como uma memória e história coletiva, e que são metáfora de uma identidade feminina marcada pela violência e pela desigualdade. O bordado pode também ser visto como uma tentativa de cicatrizar, um bálsamo, para essas mesmas feridas e injustiças sociais.

Os seus últimos trabalhos passaram pela Casa da Cerca, em Almada (2022); Bienal de Dakar (2022); Paris, Musée d’Art Moderne de Paris (MAGNIN-A) (2021); Genebra, com participação na ArtGeneve (2020); e várias apresentações em Luanda e Lisboa. Em 2021, foi agraciada com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, em Angola, na categoria Artes Visuais e Plásticas.

Filipa Oliveira é desde 2003 curadora de arte contemporânea, tendo colaborado como curadora independente e programadora para inúmeras instituições nacionais e internacionais. Comissariou mais de 150 exposições em instituições como: Casa da Cerca (Almada) Centro Cultural de Belém (Lisboa), Kettle’s Yard (UK), John Hansards Gallery (UK), Tate Modern (UK), Fundação Calouste Gulbenkian Centro de Arte Moderna (Lisboa), Fundação Carmona e Costa (Lisboa), Fundação Eugénio de Almeida (Évora), Fondation Calouste Gulbenkian (Paris), Museu Colecção Berardo (Lisboa), Crac Alsace (França), Kunstverein Springhornhof (Alemanha), Ffotogallery (UK), Mead Gallery (UK), Frieze Projects (UK), Stills Gallery (UK), entre outros.

Nas palavras de Filipa Oliveira, “o trabalho de Ana Silva (Luanda, 1969) é sempre muito pessoal, profundo e delicado. Parte da sua vivência pessoal em Angola para fazer uma reapropriação quer das tradições – como a cerimónia do pedido oficial de noivado, o Alambamento – quer das vivências quotidianas das mulheres angolanas.

Ana Silva desenha, através do bordado, histórias de mulheres angolanas, celebrando as suas vidas e o seu trabalho. No âmbito do seu percurso artístico, a utilização da linha que borda constitui-se como um eixo estruturante. Faz referência aos lavoures femininos e a uma economia doméstica. Saberes e tradições que são transmitidos entre gerações e que transportam consigo não apenas uma memória pessoal, como uma memória e história coletiva, e que são metáfora de uma identidade feminina marcada pela violência e pela desigualdade. O bordado pode também ser visto como uma tentativa de cicatrizar, um bálsamo, para essas mesmas feridas e injustiças sociais.

O título da exposição Vestir Memórias, levanta questões relacionada com a proliferação dos mercados de fardos em África: a roupa que uma parte significativa da população angolana veste é usada; vestem a memória de quem doou cada uma dessas peças. Se por um lado continuam a transportar consigo essas memórias, ao incorporá-las e misturá-las entre si (épocas, proveniências, estilos absolutamente diferentes) criam um estilo e uma forma de as viver profundamente únicas e suas. Talvez as próprias roupas bordem uma nova possibilidade de outra ordem social.

Com a apresentação do trabalho de Ana Silva, o Camões – Centro Cultural Português conclui a sua programação de 2022, no âmbito das artes plásticas. Um ano que se caracterizou pelo abrandamento dos efeitos da pandemia vivida nos últimos dois anos, e por um [regresso] a uma nova normalidade.

Vários artistas e projetos habitaram os espaços do Camões – CCP em 2022: Joana Taya, Jordi Burch, Mónica de Miranda, Afonso Cruz, Rachel Caiano, Bruno Santos, Gonçalo Marques, Ondjaki, José Luís Mendonça, Mira Clock; nos projetos, o DocLuanda, o Luanda Cartoon, LiterArte, Luanda Hot Jazz, #escritordomes, Teatro Infantil, entre inúmeros outros. Lembrando ainda os nossos parceiros, BFA, Caixa Angola, Delta Q e Águas do Bom Jesus, entre outros mais pontuais que em muito contribuíram para este sucesso comum. Um trabalho conjunto que permite que o Camões – CCP continue a ser um espaço de referência para a comunidade artística e cultural em Angola, que venha o novo ano.

Ana Silva nasceu em Angola. Actualmente vive e trabalha entre Angola e Portugal. Expõe frequentemente desde 2000. Frequentou o curso superior de desenho e pintura do AR.CO, em Lisboa.