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Ana Gomes: “Acho bem que João Lourenço venha a Portugal recuperar capitais, mas Portugal também tem de recuperar o que perdeu no BES Angola”

Em reação à notícia da VISÃO sobre os 3 mil milhões de euros que Portugal perdeu para Angola através do BES Angola, a eurodeputada diz: “Foi um golpe, perpetrado pelos mesmos irmãos Metralha do costume.” Já pediu esclarecimentos à Comissão Europeia e ao Banco Central Europeu

Redação

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ana gomes: "acho bem que joão lourenço venha a portugal recuperar capitais, mas portugal também tem de recuperar o que perdeu no bes angola" - Ana gomes  - Ana Gomes: “Acho bem que João Lourenço venha a Portugal recuperar capitais, mas Portugal também tem de recuperar o que perdeu no BES Angola”

Ana Gomes pediu esclarecimentos em janeiro à Comissão Europeia e ao Banco Central Europeu (BCE) sobre “os ativos” que ficaram no Banco Espírito Santo (BES) Angola, hoje transformado em Banco Económico – e que estiveram na base do artigo de capa desta semana da VISÃO sobre como Angola tirou 3 mil milhões de euros aos portugueses através do BES Angola (BESA). Em conversa com a VISÃO, diz que continuará a lutar por esclarecimentos das instituições porque o que resultou da transformação do BESA em Banco Económico “é um buracão que todos os cidadãos portugueses estão a pagar”: “Acho inacreditável que ninguém tenha feito nada, que o Novo Banco e o Banco de Portugal não façam nada para recuperar estes ativos.”

Uma investigação da VISÃO revelou que, em outubro de 2014, o BES e o Novo Banco perderam em conjunto mais de 3 mil milhões de euros numa assembleia-geral em que o BES, até então acionista maioritário do banco, viu o seu capital reduzido a zero (embora a sua representante tenha sido impedida de participar nessa reunião) e em que os representantes do Novo Banco aceitaram reduzir 80% da dívida do BESA ao antigo BES relativamente a financiamentos que o BES de Portugal dera nos últimos anos à sua filial em Luanda. A operação contabilística foi montada de forma a absorver alegados prejuízos do BESA. No entanto, os relatórios que calcularam esses prejuízos nunca foram divulgados, permanecendo secretos até hoje. E ao aceitar aqueles cálculos sem questionar, o BES e o Novo Banco perderam em conjunto mais de 3 mil milhões de euros.

Sobre tudo isto, Ana Gomes fala de “um golpe, perpetrado pelos mesmos Irmãos Metralha do costume”, alguns deles com “ligações a bancos em Portugal” (é assim conhecido em Angola o trio mais próximo do ex-presidente José Eduardo dos Santos: Manuel Vicente, general “Dino” e general “Kopelipa”). A eurodeputada eleita pelo Partido Socialista para o Parlamento Europeu vai mais longe e diz: “Acho muito bem que o presidente de Angola (João Lourenço) venha a Portugal tentar recuperar capitais angolanos, mas Portugal também tem de recuperar o que ficou lá no BES Angola.”

Ana Gomes conta que teve conhecimento do que em parte se passara no BESA quando foi a Luanda, em novembro passado: “O autocarro que me transportou do avião para o aeroporto tinha lá um anúncio do Banco Económico. Perguntei logo o que era, e disseram-me: é o antigo BESA, os donos são os mesmos, houve ali um golpe.” Desde então tem perguntado a várias instituições “o que foi feito para que Portugal recupere” o que perdeu em Angola. Porque até hoje estranha que “o Novo Banco tenha participado naquela assembleia-geral sem questionar”, que “o Novo Banco e o Banco de Portugal não tenham feito nada para recuperar estes ativos”. “Em Espanha, até o Mourinho e o Ronaldo são condenados, aqui nada acontece”, diz Ana Gomes.

No trabalho publicado esta semana na VISÃO, também Álvaro Sobrinho, ex-presidente do BES Angola que tem sido responsabilizado desde 2013 pela falência do banco, fala pela primeira vez em Portugal sobre a sua gestão e sobre o fim daquela instituição financeira. Acusa os acionistas angolanos do banco de serem os principais devedores e fala de um plano montado ao mais alto nível, com a conivência do Banco Nacional de Angola (BNA), para tomarem de assalto aquele que era o único banco privado que não controlariam e evitarem pagar uma dívida a Portugal.

 

SÍLVIA CANECO / VISÃO

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