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Crónica ideal ao Domingo

Amor versus caráter

Redação

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Por: Edson Kassanga

O culto desenfreado pelos bens materiais que se assiste na geração vigente dita a imensa diferença existente entre essa e as gerações de outrora, consideradas mais altruístas e intensamente hábeis em sentirem deleite pelo que é gratuito. Mas, actualmente ainda existem seres humanos que fazem a diferença, crendo piamente que a maior dádiva da vida é amar e ser amado. Por conseguinte, preferem aceitar como namorado/esposo o pretendente cujo amor revele-se maior em comparação aos demais.

Sem subestimar a imprescindível importância do amor, não é aconselhável que o mesmo seja o único requisito a ter em atenção na ocasião de dar início à uma relação amorosa.

O amor é um dos termos mais opulentos, em termos de definições, que o mundo conhece. De período em período, ele tem sido definido por célebres personalidades de díspares afazeres. Segundo essas, “o amor é uma emoção que abafa a lógica e o senso comum” (Nicholas Spark), “o amor é fogo que arde sem se ver” (Luís Vaz de Camões), “o amor é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para alma” (Marlon Moraes), “o amor é a força mais abstracta e, também mais potente que há no mundo (Mahatma Ghandi), “o amor é a troca de duas fantasias e o contactos entre dois egos” (Paul Aúguez), “o amor é uma flor delicada, mas é preciso ter coragem de ir colhê-la à beira de um precipício” (Sthendal), “o amor é um crime que não se pode realizar sem cúmplice” (Charles Baudelaire), etc. Nota-se que sobre o amor gravitam definições um tanto quanto complexas.

Efectivamente, essas definições não são tão singelas. Elas trazem a terreiro laivos de pluralidade,  complementariedade, bem como de dissonância. É por esse motivo que amor é, desde as eras mais remotas, um poço infindável de complexidades que geralmente estimulam milhões de pessoas a acreditarem que é inútil descrever o seu modo de funcionamento, que de nada vale enumerar as suas leis, que ele é uma utopia (talvez a maior engendrada pelos seres humanos), que qualquer tentativa com o intento de dar claridade às suas nuances é sempre uma perca de tempo; enfim, que a busca de um padrão no qual se enquadram todas as relações assentes no amor é uma viagem sem fim.

É bastante provável que essa forma de vislumbrar o amor resulte de uma análise isolada. Uma análise em que o amor é entendido como sendo um sentimento tão dono de si-excessivamente independente, exuberantemente potente-que quando sua seta atinge alguém, transmuda-o num novo ser, perfeitamente formatado para os anseios e capichos de quem ele ama.

Mas como a realidade distancia-se dessa noção, o melhor seria cambiar de perspectiva, olhando para o amor de modo mais abrangente. Especificamente, vislumbrar o amor e, concomitantemente, a sua relação com os factores que lhe influenciam, sobretudo o carácter de quem afirma e/ou demostra amar. Dessarte, a complexidade em perceber o amor tornar-se-ia menos densa.

Amiúde, todo ser humano nasce com características psicológicas que lhe são intrínsecas. Embora essas sejam susceptíveis de alguma mudança decorrente de certas experiências vivenciadas ao longo da vida, contudo, por via de regra, essas características permanecem intactas até ao dia de colocar as botas em repouso perpétuo ( até ao dia da morte). E é o conjunto dessas características que formam o feitio, o caráter de cada ser humano.

Quando o amor toma alguém como sua morada e esse tem, felizmente, a sorte de começar uma relação precisamente com quem ele ama, não deixa o seu caráter de fora feito o muçulmano, descalça e deixa seus calçados à porta da mesquita. O carácter de quem ama acompanha-o perenemente, independentemente da profundidade do amor que sente.

Não obstante o amor suscitar encantamentos que aguçam virtudes, despertam habilidades cuja existência era desconhecida, incrementam o optimismo, a coragem, etc, ele não tem sido exponencialmente potente à altura de alterar o carácter de alguém, banindo os seus mais graves defeitos, assim como  acrescendo virtudes. E mesmo que a dado momento se registe tamanha metamorfose, será somente sol de pouca dura, pois o caráter é imutável.

O mundo é constituído por milhares de seres humanos. Dentre esses, existem alguns cujo carácter sublima o amor que sentem. Porém, infelizmente, existem outros cujo caráter transforma o amor num sentimento tão confuso quanto sórdido. Daí que não basta que um determinado pretendente ame para que seja aceite. Também é necessário que o seu caráter exale fidelidade em manter ou elevar a nobreza do amor.

PREZADO LEITOR, PROTEGE QUEM AMA ACATANDO AS MEDIDAS DE PREVENÇÃO CONTRA O CORONA VÍRUS. OBRIGADO!  

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