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Opinião

Alembamento como Permuta de Identidade pelos Bens de Primeira Necessidade

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O alembamento pode ser um termo de inúmeras significações, apesar da sua especificidade. Sempre foi visto como uma cerimónia comparável ao casamento europeu. No tal acto a família do noivo tem a função de se deslocar a casa da noiva para pedi-la a mãos em casamento.

Na tradição angolana, a mulher desempenha um papel fundamental na família pelo facto de ser ela que cuida do sustento de casa e educação dos filhos. Por isso ao sair de casa para casar é um prestígio não só para ela mas também para as pessoas ligadas por esse laço familiar, dando assim abertura da redução de custos do património familiar.

A organização do evento acima descrito, principia com a elaboração de uma carta pela família da noiva que em seguida é entregue ao noivo designado como a “carta do pedido” que baseia-se na relação de variados bens e valores que devem ser entregues pelo noivo no acto da cerimónia.

A carta do pedido, é visto como objecto onde é assinalado o mais amplo episódio que vai variando com base nas pretensões de cada grupo étnico ou cultura do povo que vai solicitar a mão da donzela. Nesta carta é onde também é vista a ganância do olho grande ao levar o desejado noivo e companhia a ampliar o sacrifício de fazer de tripa ao coração a vontade de terceiros a fim de não deixar mal a boa imagem dos seus.

Os tios são os protagonistas da história, implementam nessa questão as tarefas mais difíceis, testando o bolso e a sensibilidade das pessoas do outro lado (família do noivo), como de um negócio se tratasse. Hiperbolizam a lista acrescentando de lés em lés subsídios para o seu próprio benefício, tirando a autonomia deste e os demais poder expressar-se face as suas capacidades na obtenção dos produtos para essa realização.

Preço exacerbados das despesas da festa tradicional, começando pelo dinheiro na carta que era apenas um aspecto simbólico ou preço não estipulado. Hoje é uma realidade possível, diferente da que foi deixada pelos nossos antepassados.

Essa atitude leva a discrepância em se atribuir nesse tempo seu verdadeiro valor, aniquilando no seio o respeito, amor e dignidade, factores que levam a cabo impossibilidades ao casal em levar uma vida a dois. Devido os hábitos e costumes colocados ao valor do dólar, pelo motivo de não serem usados conforme deveriam ser.

Segundo a explicação do Senhor Gouveia Pinto nascido em 1953, “o alembamento na época era visto em três actos distintos” O primeiro era apenas a “presentação entre as famílias de ambos os cônjuges” para um possível conhecimento entre as duas partes envolventes e a entrega da carta. A segunda o pedido onde eram entregues a carta com o valor de cinquenta (50) escudos, um garrafão de vinho e mais de cinco litros de maruvo.

A última fase denominada como “Kubucula” observado como o fecho da actividade tradicional como oficialização da relação dos cônjuges e permissão do homem levar a mulher como esposa para a sua casa.

Na época o aspecto mais relevante era a preservação da virgindade da mulher, caso fosse verdade, os lençóis ensanguentados eram mostrados como honra num tom de festa e regozijo. Facto raro na sociedade de hoje.

Agora os métodos foram adulterados pelos mais velhos, para além da falta de conservação dos costumes, tendem a se preocupar mais com a lista ou relação que faz menção os elementos que constam na carta, conforme a condição para a realização do acto que consequentemente vai influenciar o casal ainda na fase do namoro desvendar de forma autónoma o” palácio de ouro” e a posterior numa gravidez muito antes da cerimónia. Pois o aspecto proeminente para esse tempo é a permuta de identidade pelos bens de primeira necessidade ao invés de conservação e dignidade por aquilo que nos justifica como um povo dotado de hábitos e costumes.

Valores perdendo-se assim, cultura cedida ao vento, parecendo que a nova vaga menos se importa com espinhas e sobejos que consome, que dá vontade de buscar o passado para recuperar a essência da nossa terra. Hoje importam-se mais com geradores e terrenos como se de uma cabeça de vaca se comercializasse dando credibilidade a matadouro para a sua consumação sem que o animal se imponha na hora em que tiver a sentir a pressão da violência e outros maltratos dentro do lar.

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