Crónica

Afrotaças: Entre a glória do Petro e o labirinto dos outros

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As Afrotaças voltaram a expor a fragilidade estrutural do futebol angolano. Das quatro equipas em prova, apenas o Petro de Luanda sobreviveu. Não apenas sobreviveu convenceu, goleando por 3-0 em casa e por igual resultado fora, mostrando que o sucesso não nasce do improviso, mas da consistência de um projecto que já leva anos a consolidar-se.

O contraste é inevitável. O Kabuscorp do Palanca caiu diante dos sul-africanos do Kaizer Chiefs, o Wiliete de Benguela não resistiu ao Young Africans da Tanzânia, e o 1.º de Agosto, símbolo histórico do futebol nacional, foi derrotado em casa (2-1) e depois empatou no Congo, ficando pelo caminho.

Mas a eliminação do clube militar traz consigo mais do que uma simples derrota. É um retrato de um amadorismo que ainda teima em rondar o futebol nacional. A crítica de Walter dos Reis, jornalista e comentador desportivo, durante o programa Capital Central da Rádio Correio da Kianda, foi direta. Como pode uma equipa com o estatuto do 1.º de Agosto entrar numa competição africana sem garantir que o seu técnico possua a licença A exigida pela CAF? Uma falha administrativa que se torna símbolo de desorganização.

O futebol angolano parece viver em duas dimensões distintas. De um lado, um Petro profissionalizado, estruturado e competitivo, de outro, clubes que ainda tropeçam em questões básicas, incapazes de transformar talento em resultados consistentes. O problema não está apenas dentro das quatro linhas, mas na gestão, na planificação e na visão de futuro.

Enquanto isso, a lição repete-se: quem não se organiza, não resiste. E quem não resiste, não sonha.

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