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“África tem uma crise de democracia e uma falta autêntica de liderança”, diz Miguel Aju

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O professor universitário e especialista em Relações Internacionais, Miguel Aju, disse nesta quinta-feira, 26, em Luanda, que “África tem uma crise de democracia e uma falta autêntica de liderança”.

Estas declarações foram proferidas, à Rádio Correio da Kianda, à margem de um seminário do curso de Ciências de Relações Internacionais do ISPITEC, dos alunos de licenciatura e também alguns de doutoramento, com o professor Vasco Martins, que se realizou à margem do lançamento do livro ‘ A Missão de Apoio à Paz da União Africana na Somália Implicações, Riscos e Desafios nas Intervenções Regionais`.

Segundo o académico, que esteve a analisar a situação política na Guiné- Bissau, os países são livres e autónomos, razão pela qual a União Africana não tem forças para impor disciplina e ordem nos respectivos países.

“Nós, em África, temos uma crise da democracia. Eu costumo dizer que África sofre da crise da democracia e uma falta autêntica de liderança, porque não é possível que a União Africana vá, digamos, supervisionar os processos internos de transição política, não é possível”, disse.

Miguel Aju acrescentou ainda que são os países que devem adoptar uma atitude democrática.

“Os líderes nesses países devem adotar uma postura democrática e manterem-se, digamos, firmes na defesa dos direitos do povo, na defesa dos direitos democráticos e princípios democráticos que devem, digamos, ser a ordem do dia em África. Hoje já não se justifica a tomada de poder pela força das armas, já não é não injustificável hoje em dia”, afirmou.

Entretanto, mostrou-se favorável à decisão da União Africana e da CPLP em suspender a Guiné-Bissau por conta do golpe de Estado registado no país.

“Guiné-Bissau internamente deve se colocar à questão de para onde é que nós queremos avançar, o que é que nós queremos com a Guiné-Bissau. Também felicito a decisão da própria CPLP, que suspendeu também a Guiné-Bissau, e para supor, até certo ponto, uma pressão para o chamar à razão que não se pode, de facto, sobrepor os interesses do povo, que legitimamente elegeu os seus líderes, líderes que depois foram negadas a possibilidade de assumir, digamos, os postos para os quais foram eleitos”, disse, tendo considerado a situação como sendo “extremamente preocupante e felicito a posição da União Africana nesse aspecto”.

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