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Mundo

África: derrubaram uma ditadura para implantar outra ainda mais radical

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Do Burkina Faso ao Mali e o Níger, todos os golpistas prometeram passar a governação aos civis, mas nenhum passo neste sentido está a ser tomado, sendo que uns, mais corajosos, já fizeram saber que ficam por mais cinco anos. Só conhecem o poder e nada mais… A situação socioeconómica das famílias, uma das razões apontadas para subverterem as constituições, continuam a deteriorar-se.

No sábado, 06, o mundo assistiu atónito a criação da Conferência dos Estados do Sahel, uma organização composta pelos líderes militares responsáveis pelos golpes de Estado ocorrido no Mali, Burkina Faso e no Níger.

A medida é uma reacção à postura da maioria dos países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que, em sintonia com o espírito que norteia o Presidente angolano, João Lourenço, têm imposto certas exigências ao regime militar, como a normalização democrática, por exemplo.

Entretanto, o grupo prefere estar fechado numa redoma ditatorial ao invés de redireccionar o país para o Estado de Direito e Democrático e, por isso mesmo, optaram por seguir outro caminho.

Na sequência dos golpes de Estado levados a cabo por cada um dos líderes militares, como o Coronel Assimi Goïta, do Mali; o capitão Ibrahim Traoré, do Burkina Faso; bem como o General Abdourahamane Tchiani, do Níger, justificaram os seus actos contrários à Constituição de seus países, com a necessidade de melhorarem a situação socioeconómica das famílias, acabar com as ditaduras instaladas, bem como afastar a chamada influência imperialista, além de que deveriam passar o poder aos civis o mais rápido possível. Ledo engano.

Na verdade, não cumprem, tão pouco procuram cumprir as promessas realizadas, endureceram-se, não há oposição livre, as liberdades fundamentais em muitos casos foram cortadas, e a larga maioria populacional não só está longe de sair da indigência, como também está longe de ver o poder ser-lhe devolvido, pelo menos o de puder votar para escolher seus representantes.

Contrariamente às acusações que proferem contra os presidentes que acabaram depostos, muitos destes ‘fura constituição’ faziam parte do regimes anteriores ou com os quais trabalhavam em estreita colaboração, sendo directamente co-autores das políticas que angustiaram a população durante décadas.

No cômputo geral, são uma continuação das estruturas de poder que dominavam e que contribuíram para o menosprezo dos limites do mandato presidencial constantes na Lei Magna.

E a razão de afastarem os seus países do mundo ocidental (o “imperialismo”) é óbvia. Do lado ocidental, apesar da coabitação com a farsa, em muitos dos casos, ainda exigência total ou parcial respeito aos direitos humanos, parcial ou total acções democráticas, parcial ou total transparência na governação, daí terem preferido andar lado-a-lado com a Rússia, pelo facto de ser uma potência que nada exige em relação a forma como cada governo trata seu povo. Além de não lhes ser exigido absolutamente nada, da Rússia ainda têm acesso à uma protecção extra conferida pelo Grupo Wagner.

Entretanto, visando contraria essa tendência golpista em África, talvez o ideal fosse o mundo seguir os apelos do Presidente angolano, João Lourenço, para quem os golpistas não deviam ser permitidos sentarem-se no mesmo palco com os Chefes de Estado legítimos.