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Sociedade

Administração de Viana estuda mecanismo para acabar com venda desordenada

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A venda desordenada no município de Viana pode ter os dias contados. A administração realizou na última semana, um encontro de auscultação, durante o qual buscou ideias para resolver a problemática. Entretanto, os vendedores ouvidos pelo Correio da Kianda afirmam que vender nas paragens é mais lucrativo, apesar de reconhecerem o perigo que correm.

Com objectivo de reunir contribuições e apontar soluções, e ver melhorada a situação em Viana, no que a venda desordenada diz respeito, a administração municipal promoveu, na última semana, um encontro de concertação para a busca de soluções à problemática.

O encontro que contou com a participação dos membros da sociedade civil, foi presidido pelo Administrador Municipal Adjunto para Área Técnica Infraestruturas e Serviços Comunitários, Edson Noy, que referiu que a actividade serviu para colher subsídios por parte dos actores sociais, de formas a ajudar no trabalho que a administração está a desenvolver, face a venda desordenada no município.

Edson Noy disse no encontro que a administração conseguiu colher contribuições de “todas as forças vivas da sociedade civil”, tendo sido anotadas para a sua aplicação no combate a venda desordenada nas principais vias daquele que é considerado como o mais industrializado município do país.

“Queremos com a inclusão e participação de todos os membros da sociedade civil, dar respostas a este fenómeno e acima de tudo, fazer um trabalho consensual e contundente, junto dos nossos munícipes que fazem da venda o seu ganha pão diário”, sublinhou.

Por sua vez, o Director Municipal de Promoção do Desenvolvimento Económico Integrado, Dorivaldo Adão, disse não haver necessidades de as pessoas venderam em locais impróprios, uma vez que o município dispõe de mercados públicos e privados com condições e capacidade para albergar maior número de vendedeiras.

“O município possui cerca de 11 mercados públicos que ainda podem receber aproximadamente três mil novas vendedoras, e mais de 50 mercados privados numa amostra representativa e só para os mercados privados de Viana há disponibilidade de sete mil vagas para a venda interna no mercado e com condições criadas”, disse.

Dorivaldo Adão apontou algumas soluções para acabar com o problema da venda desordenada no município, que tem que ver com medidas pedagógicas, bem como sensibilizar às pessoas sobre os riscos à vida humana que a venda desordenada acarrecta.

Já os administradores dos mercados presentes no encontro foram unânimes em afirmar que muitos mercados estão em condições de receber mais vendedores, atendendo as várias bancadas que se encontram desocupadas. Os mesmos, reprovam o comportamento de certas pessoas que abandonam as bancadas para vender nas vias públicas.

Participaram deste encontro, a Administradora Municipal Adjunta para Área Política e Social, Paula Contreiras Dias; o Segundo Comandante da Polícia Nacional em Viana, Superintendente Costa Neto; Directores Municipais, administradores dos Distritos Urbanos e da Comuna de Calumbo, Comandantes das Esquadras dos Distritos e Comuna, entidades tradicionais e de mais representantes da sociedade civil.

O Correio da Kianda ouviu alguns dos vendedores ambulantes nas ruas do município  a propósito do assunto.

A Jovem Domingas vende bolachas junta da principal paragem de táxis na vila sede do município, na conhecida ponte amarela, na Avenida Deolinda Rodrigues. Para ela a falta de oportunidades a levou a optar pela venda ambulante para o sustento da sua família. Sobre o facto de estar a praticar a sua actividade comercial em local impróprio, defende-se dizendo que além de serem distantes, os mercados formais registam pouca clientela.

Sustenta dizendo ainda que prefere correr o risco para no final do dia ter “qualquer coisa” para os filhos, a ir gastar dinheiro de taxi para chegar no mercado do 30 e correr o risco de nem conseguir vender para o jantar em casa.

Entretanto, sublinha que está sempre atenta, e mesmo quando “os fiscais e os polícias estão a nos dar corrida eu nunca vou na estrada”.

A mesma opinião foi partilhada pelo senhor Papy, que vende calçados na mesma paragem. “eu só vendo aqui a partir das 17 horas. Por dia posso vender quatro a cinco mil Kwanzas”. Naqueles dias mesmo de sorte, você pode vender mesmo bem. Tem dias que eu vendo mesmo de 10 ou 14 mil”, acrescentou.

Outra razão apontada pelos entrevistados está relacionada com as taxas de venda diárias que são exigidas nos mercados.

“Tem vezes que você está a chegar, ainda não vendeste la nada, mas o fiscal já está a te cobrar ficha. Se você não tem eles tiram um produto no teu negócio”, justificou a senhora Domingas.

O jovem André José, estudante universitário, no curso de sociologia, entende que a proliferação da venda ambulante é consequência de políticas públicas ineficazes para com a população. Para ele não é novidade, pois é um fenómeno, que segundo disse, está presente também em outros países. “mas é preciso ordenar e organizar a venda”.

“Tem faltado seriedade no tratamento desta problemática e espero que deste encontro da administração saiam ideias e as ideias sejam convertidas em acções concretas, sem no entanto prejudicar as pessoas que dependem dessa venda para os seus sustentos”, afirmou o jovem académico.

“Espero que este não seja mais um simples encontro de trabalhos, mas sim de busca de ideias aplicáveis, pois a nossa vila de Viana há muito que deixou de nos orgulhar. Já não se consegue circular a vontade em Viana. Se não são os mototaxistas que quase nos atropelam são as zungueiras que ocuparam os passeios. É preciso pôr ordem no município”, reitetou.