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Administração Biden aumenta influência dos EUA sobre Angola que Trump foi incapaz de realizar

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Em 2019, segundo uma notícia veiculada pelo Valor Económico em Março daquele ano, John Sullivan, então subsecretário dos EUA, em visita a Angola, anunciara a aprovação de um pacote de 70 mil milhões de dólares para apoiar o continente africano, e que Angola tinha perfil para beneficiar desse montante, sendo que a aproximação mais estreita entre Washington e Luanda estava apenas dependente da escolha do país liderado por João Lourenço entre o Ocidente ou a Rússia e a China, além de ter apelado para que Angola apoiasse a campanha ocidental no então apoio a Joan Guaidó, que na altura se auto-proclamava presidente da Venezuela. Entretanto, o pedido não foi satisfeito, tendo em conta as posições públicas do Governo angolano em relação ao assunto.

A aproximação entre Washington e Luanda, ao longo dos 30 anos de relações formais, nunca esteve tão estreita como ocorre agora com Joe Biden à testa da Casa Branca, nos Estados Unidos da América (EUA), e o Governo de João Lourenço, cuja sede oficial do poder é o Palácio da Cidade Alta, um monumental edifício erguido entre 1607 e 1611.

As relações entre Angola e os Estados Unidos da América, potência mundial que apoiara a UNITA na oposição ao Governo do MPLA pelo menos até 1992, período em que foram realizadas as primeiras eleições em Angola, estão formalizadas desde 1993, mas ainda assim sempre foram de desconfiança, face à ligação do MPLA à União Soviética, primeiro, e seguir à Rússia, que foi o coração daquele bloco comunista, que ruiu em 1991.

Entretanto, os EUA concluíram haver uma oportunidade para atrair Angola para a sua ‘trincheira’ com a saída de José Eduardo dos Santos da Presidência angolana e a ascensão de João Lourenço, que, logo ao início do primeiro mandato, realizou várias visitas de Estado a países ocidentais, e rapidamente aceite as condições de empréstimos e assistência do Fundo Monetário Internacional (FMI), que a Administração Dos Santos se recusava.

João Lourenço foi eleito Presidente um ano depois de Donald Trump ter ganho as eleições presidenciais nos EUA. Durante o seu mandato, Donald Trump deixara claro que o objectivo de sua Administração era tornar “América grande”, focando-se nos problemas internos de seu país, e manter uma certa distância com o mundo externo, sobretudo com o Médio Oriente e a África. Mas, as linhas orientadoras da política externa norte-americana forçaram-no a procurar intensificar as relações com os países africanos, para fazer face à crescente influência russa e chinesa, mas já era tarde, sendo que o seu mandato chegava ao fim.

Em 2019, por exemplo, segundo uma notícia veiculada pelo Valor Económico em Março daquele ano, Trump mandara para Angola o seu então subsecretário de Estado, o diplomata John Sullivan, que já em solo angolano, anunciara a aprovação de um pacote de 70 mil milhões de dólares para apoiar o continente africano, e que Angola tinha perfil para beneficiar desse montante, sendo que faltava apenas da parte de Luanda uma maior aproximação aos EUA, o que significaria um afastamento da China e da Rússia.

Num encontro organizado em Luanda pela Câmara de Comércio Angola-EUA e a Câmara de Comércio Americana, o então governante norte-americano, segundo o Valor Económico, considerou que os empréstimos chineses “contêm custos indevidos, que põem em risco a soberania” dos Estados e que a Rússia tem “interesses obscuros”.

“Se Angola quer ser mais aberta, não há outro país melhor para isso, convidamo-la a juntar-se a nós. Os governos devem estar ao lado da democracia e da transparência”, reforçara John Sullivan.

Entre outras coisas, o enviado de Trump convidara o Governo a apoiar a posição norte-americana, que convergia com a da União Europeia, em relação à Venezuela, que passava por apoiar Juan Guaidó, que se autoproclamara presidente daquele país sul-americano. Entretanto, Angola não satisfez a referida solicitação, e Trump acabou por terminar o seu mandato sem que se verificasse, publicamente, uma aproximação com Angola, que perigasse os interesses russos ou chineses.

Já com a Administração Biden, que entrou em funções em 2021, começou-se a assistir mudanças graduais. Por hoje, todas as evidências apontam para um estreitamento de relações entre Washington e Luanda. Angola passou a alinhar com os EUA ou ao Ocidente Alargado na ONU, no seu enfrentamento à Rússia, tendo votado em sentido condenatório a Moscovo.

A par disso, Angola passou a privilegiar acordos militares e de segurança com os EUA, em detrimento da Rússia, com quem esteve intimamente ligado durante várias décadas. O encontro dessa quinta-feira, 30 de Novembro, entre João Lourenço e Joe Biden, na Casa Branca, não deixa qualquer dúvida sobre a importância estratégica que Angola representa para os EUA, assim como sublinhou Lloyd James Austin, actual secretário de Defesa norte-americano.

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