Conecte-se agora

Mbuandja na Kianda

Acordos entre UNITA e MPLA sempre no torto

Vasco da Gama

Publicados

on

acordos entre unita e mpla sempre no torto - SAMAS E JLO - Acordos entre UNITA e MPLA sempre no torto

A “crise” despoletada em torno do enterro de Jonas Savimbi, uma figura proeminente na história de libertação de Angola, a primeira do ponto de vista político entre estes dois principais partidos, na era João Lourenço, salvo opinião contrária, instou, como era de esperar, uma discussão que transcende delimitações político-partidárias.

No entanto e como sempre ocorreu desde que este país se tornou independente, a 11 de Novembro de 1975, tal discussão ficou bipolarizada. Ou seja, o País ficou repartido a dois: Uns em defesa da tese do Governo (MPLA) e outros, certamente, apologistas com a tese da UNITA, como ocorreu na guerra.

Para nós e no caso da “crise” a análise não se funda nem mesmo se fundou na perspectiva de dar razão a quem a tem ou retira-la a quem a não tem. Funda-se, sim, no facto de termos vivido, embora em pouco tempo, um clima de crispação, de uns defenderem que fizeram o que deveriam e outros dizerem o mesmo com acusações ao meio.

De resto, vivemos uns dias iguais ou semelhantes ao que os dois contendores nos habituaram. Foi assim com os acordos de Alvor, em Algarve, Portugal, assinados em Janeiro de 1975 que a seguir despoletaram o conflito mais sangrento de África entre um e o outro. Conflito que ambos reclamam, até hoje, ter razão e atiram, simultaneamente, a culpa ao adversário e, por isso, morre solteira.

Acto seguinte foi a assinatura dos acordos de Bicesse promovidos por Durão Barroso enquanto Secretário de Estado dos Assuntos Externos e Cooperação de Portugal, em 1990, cujo estabelecido caiu, novamente, em “águas de bacalhau” e, mais uma vez, os opositores começaram a procurar culpados e a dar-se razão, numa altura em que o povo sofria a todos os termos.

No auge do sofrimento dos cidadãos e no intento da satisfação dos interesses políticos dos dois Partidos, camuflados no interesse público, voltaram a sentar à mesma mesa no dia 20 de Novembro de 1994, em Lusaka, Zâmbia, aqueles que ficaram conhecidos como Acordos de Lusaka.

Certamente, não foram os últimos acordos entre estes Partidos que, em abono da verdade, estiveram sempre na base do sofrimento (físico ou psíquico) deste povo inocente e, nalguns momentos, ignorante do seu próprio sofrimento.

A violação destes três acordos – reconhecemos que existiram mais acordos e sempre no (com) o mesmo sentido e destino – e sem querermos ver quem violou o quê, provocou, lamentavelmente e por culpa de ambos, o maior flagelo da humanidade, em muitos casos comparado apenas com a segunda guerra mundial.

Em 2002 foram assinados os acordos do Luena, que, na verdade, são cronologicamente considerados mais produtivos e seguros, fruto da paz efectiva, no que ao calar das armas diz respeito, que nos conduziram à reconciliação nacional.

Ainda assim, estes últimos acordos não deixaram de nos submeter ao habitual sofrimento, pois, uma das partes reclama incumprimentos de postulados importantes como serão os casos de enquadramento nas Forças Armadas Angolanas de elementos das extintas FALA, de inserção nos Ministérios da Saúde, da Educação de quadros da UNITA reconhecidos, na altura. Em fim, este passou a ser, de igual forma um “dossier” que continua a dividir os angolanos em termos de abordagem.

No tema “enterro dos restos de Jonas Savimbi”, em debate há 17 anos, foram assinados acordos entre ambos onde ficaram traçadas intervenções de cada um no processo.

Lamentavelmente e porque faz parte do “ADN” dos dois, Jonas Savimbi não limpou a mácula que ele próprio participou a fundar, a de uma discórdia umbilical, pois, quando faltavam alguns dias para a descida das suas ossadas veio ao decima o “bicho maléfico” que prossegue tudo que a UNITA e o MPLA fazem – o desentendimento!

Sem olhar para a ideia de vitimização, habitual entre ambos desde 1975, sem dar ou retirar razão a este ou aquele no que ao “irritante” diz respeito queremos apenas olhar para o facto de estes dois partidos estarem sempre, viverem nas posições em que um está sempre a agredir e o outro a ser agredido!

De serem partidos que consensos só depois de dividirem o País e nunca a primeira opção!

De serem Partidos que ajudam mais na destruição do tecido social com as habituais rixas que, como dissemos, transcendem fronteiras partidárias! De serem Partidos que aprenderam que política partidária faz-se, somente, no “biló” permanente!

Esta postura reiterada dos dois Partidos tem estado e está na base de muitos problemas que a nossa sociedade enfrenta e que todos andamos a procura de causas e não vemos fórmulas para a resolução dos mesmos.

Rivalizam às comunidades, ensinam a odiar os outros, cultivam a divisão como modo de vida e dos melhores para quem quer sucesso.

Defendem que, na verdade, a discordância, com ou sem fundamento – como fazem a UNITA e o MPLA em quase tudo, para além dos pactos que envolvem dinheiro – é a melhor forma de se viver e bem.

Tornam tensa toda à opinião pública, exaltam, habitualmente, os ânimos até em questões que no debate público não teriam valor algum! Ensinam a sociedade a perder tempo despropositadamente em discussões fúteis, provocam, com isso, doenças do fórum psicológico e que poucos entendemos.

Em fim, tornam o País num instrumento para o alcance dos objectivos partidários, embora eles, os partidários não sejam sequer a metade da nossa população. No caso Savimbi submeteram-nos a uma discussão que, em realidades evoluídas, nos Países em que se faz política séria, não seria um problema.

Este é mais um caso para que a sociedade, no geral, fique atenta e perceba que, evidentemente, os dois partidos servem – e sempre serviram – na valorização de banalidades, de futilidades, na promoção de discussões imerecidas, aliás, só isso justifica a que sempre que vão a acordos a postura final é a anunciada, porquanto, para eles, os da UNITA e do MPLA, o mais importante é resolver problemas dos respectivos partidos, impor vontades ideológicas, daí que reiteramos: Os acordos firmados entre a UNITA e MPLA sempre darão no torto porque os dividendos políticos falam mais alto do que os interesses do Estado enquanto ente colectivo…

 

 

 

 

Continue Lendo
Publicidade
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Publicidade

Colunistas

Ana Margoso
Ana Margoso (14)

Jornalista

António Sacuvaia
António Sacuvaia (239)

Editor

Diavita Alexandre Jorge
Diavita Alexandre Jorge (12)

Politologo

Ladislau Neves Francisco
Ladislau Neves Francisco (13)

Politólogo - Comunicólogo - Msc. Finanças

Lazarino Poulson
Lazarino Poulson (1)

Jurista e Especialista em Direito Administrativo

Olivio N'kilumbo
Olivio N'kilumbo (14)

Politólogo

Vasco da Gama
Vasco da Gama (60)

Jornalista

Victor Hugo Mendes
Victor Hugo Mendes (9)

Jornalista e Escritor

Walter Ferreira
Walter Ferreira (7)

Coordenador da Plataforma Juvenil para a Cidadania

Publicação