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Acesso à internet cortado no Congo para evitar “revolta popular”

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O acesso à internet foi cortado pelas autoridades da República Democrática do Congo para evitar “uma revolta popular”, no momento crucial da centralização dos resultados das eleições presidenciais de domingo.

Asuspensão do acesso à internet e às redes sociais já tinha sido noticiada na terça-feira, pela agência francesa AFP. O envio de mensagens escritas de telemóvel também é impossível desde segunda-feira à tarde.

“O conselho nacional de segurança decidiu que era imperativo cortar a internet, para permitir à comissão eleitoral nacional independente terminar a contagem e codificação dos resultados eleitorais”, disse à AFP Barnabe Kikaya bin Karubi, conselheiro diplomático do ainda Presidente, Joseph Kabila, sem adiantar a duração prevista do corte.

“Há pessoas que intoxicam a população com falsos dados sobre as eleições e isso abre caminho a uma revolta popular”, justificou.

Segundo constatou a AFP no local, algumas pessoas tentavam aceder à rede nos poucos grandes hotéis de Kinshasa, a capital, onde a internet ainda está disponível, enquanto outras compravam, a preços elevados, pacotes de dados de operadoras da vizinha República do Congo.

Difícil está também, pelo menos na capital, ouvir a Radio France Internationale, que dedicou várias edições especiais às eleições na República Democrática do Congo, o maior país francófono do mundo, com oito a doze milhões de habitantes, onde tem uma significativa audiência.

O corte no acesso à internet deu origem às primeiras reações diplomáticas após as eleições de domingo, com a comunidade internacional a apelar às autoridades congolesas para reverterem a decisão.

A missão da Igreja Católica – única missão nacional acreditada para a observação eleitoral, que mobilizou 40 mil observadores no terreno — já comunicou ter detetado algumas anomalias no decorrer da contagem de votos e sinalizou problemas como falta de boletins e máquinas de voto, atrasos na abertura das urnas e dificuldades com as listas eleitorais.

As eleições ficaram marcadas por vários incidentes violentos entre militantes opositores, que causaram, pelo menos, quatro mortos.

Mais de 39 milhões de congoleses foram chamados às urnas no domingo para escolher o sucessor do presidente Joseph Kabila, obrigado pela Constituição e pela opinião pública a não se recandidatar, e também os deputados nacionais e provinciais de 75.781 colégios eleitorais.

O delfim de Kabila, Emmanuel Ramazani Shadary, é um dos candidatos, a par com dois opositores, Félix Tshisekedi e Martin Fayulu, cuja campanha acusou as autoridades de quererem, com o corte da internet, evitar a difusão de uma “vaga” de manifestações que confirmaria “a vitória esmagadora” do candidato.

Se não acontecerem imprevistos, o novo presidente assumirá o cargo a 18 de janeiro.

Os resultados provisórios “serão divulgados no domingo, o mais tardar”, confirmou hoje a comissão eleitoral nacional independente.

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