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Cultura

“A Vida Longa das Linhas Retas” exposta no Camões em Luanda

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O artista luso-angolano, Pedro Pires, inaugura a 20 de Abril, no Camões – Centro Cultural Português em Luanda, a sua exposição individual “A Vida Longa das Linhas Retas”. A mostra integra o programa das comemorações que o Camões – Centro Cultural Português, dedica ao Dia da Língua Portuguesa, que se assinala a 5 de Maio, e marca o regresso a solo do artista à capital angolana, após vários anos de presença crescente no circuito artístico internacional.

A exposição tem a direção artística e produção da galeria de arte contemporânea luso-angolana THIS IS NOT A WHITE CUBE, a primeira galeria africana em Portugal que, mantendo uma profunda ligação com África, não se centra exclusivamente nos círculos lusófonos, mas principalmente na estética emergente das produções artísticas culturais do Sul Global.

Com texto curatorial de Luísa Santos, a mostra apresenta um conjunto de 23 trabalhos maioritariamente inéditos, de escultura e intervenção sobre papel, decorrendo, na designação, da apropriação do título do ensaio homónimo de Wolfgang Döpcke, “A vida longa das linhas retas,” (1999), que fornece uma análise crítica das narrativas estereotipadas que envolvem a definição das linhas de fronteira em África.

Através da referência à obra de Wolfgang Döpcke, Pedro Pires reintegra conceptualmente aos nossos olhos, uma reflexão que a sua obra propõe, desde há muito, em torno da noção de fronteira e de fragmentação da identidade.

A mostra proporciona aos visitantes a oportunidade de explorar uma produção artística singular, reconhecida pelo recurso recorrente a mecanismos de apropriação de objetos e de ideias mas, sobretudo dos seus contextos, em prol da edificação de reflexões concretas sobre narrativas instituídas e da renegociação de uma significação original através da lente da arte contemporânea e das suas molduras conceptuais.

A exposição apresenta-se em dois núcleos distintos. A primeira sala saúda os visitantes com quatro desenhos verticais. Corpos cinzelados a fogo e solda, à escala humana. Esculturas suspensas, pendentes, que formando um quadrado, criam um espaço dentro do espaço da galeria onde o visitante adentra para vislumbrar a face dúplice de cada obra e a sua dúplice aceção, quais “organismos vivos, em constante processo de troca e de transformação”.

Se as fronteiras que o título anuncia são prenúncio de divisão, a solda e os corpos por ela delineados, “unem, neutralizando e reforçando o processo da imaginação na construção (e destruição) das fronteiras”.

A sala superior apresenta 4 esculturas feitas com resina e tecidos Vlisco. Cada qual uma fronteira em si, marcada matericamente pelo impedimento do acesso a elementos identitários que nos corpos os tornariam únicos e reconhecíveis. Acrescem outros desenhos que, contrariamente aos primeiros, se movem fragmentados, delimitados por barreiras que os emolduram em segmento. Dois itineram da exposição “The Green Line”, que Pedro Pires materializou, em 2022, na galeria THIS IS NOT A WHITE CUBE, em Lisboa, como um primeiro capítulo da reflexão que prevalece nesta “A Vida Longa das Linhas Retas” que agora se anuncia patente em Luanda até 26 de Maio.

Ao longo da sua apresentação, será anunciado um programa educativo dedicado.

Sobre Pedro Pires

Pedro Pires preocupa-se essencialmente com questões de identidade, nomeadamente com o sentido de uma identidade nacional fragmentada, a qual o próprio artista experienciou ao longo da sua existência enquanto cidadão angolano e português. Recorrendo a diferentes técnicas e objetos, o artista constrói esculturas e instalações únicas de carácter figurativo e conceptual, marcadas por formas antropomórficas que emergem de materiais parcialmente destruídos, evocando os conceitos de destruição e reconstrução. Na sua obra, Pires reflete a sua singular posição sociopolítica relativamente a Angola e a Portugal, e ao contexto pós-colonial que marca a história entre estes dois países. Ao traçar paralelos com diferentes realidades, convida ainda o espectador a pensar sobre questões mais amplas, tais como a realidade contemporânea dos refugiados e direitos humanos.

Pedro Pires concluiu um MFA na Central Saint Martins College of Art and Design (Londres) em 2010, e a licenciatura em Escultura, em 2005, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Em 2004, recebeu a Bolsa Erasmus de Belas Artes para a Universidade de Atenas. Com uma carreira artística que se prolonga há mais de dez anos, a sua obra já foi exposta em diversos locais, tais como o Museu de Arte Africana de Belgrado (Sérvia, 2022), Museu de História Natural de Angola (2019), o Museu de Belas Artes de Montreal (Canadá), 1:54 Art Fair e Christie’s (Londres), Bienal de Lagos (Nigéria), Cape Town Art Fair (África do Sul), Grand Palais – Art Paris (França), Bienal de Lorne (Austrália) e Expo Chicago (Chicago, EUA), Fucking Globo (Luanda), AKAA Art Fair (Paris), Momo Gallery (Joanesburgo), THIS IS NOT A WHITE CUBE art gallery (Lisboa e Luanda) ou Galeria LouiSimone Guirandou (Abidjan).

Os últimos anos, foram igualmente marcados pela integração de várias exposições colectivas, destacando-se Discursos da Decolonialidade (Lisboa), Intersections within the Global South (Luanda), Reflect#2 – FRAGMENTS, FRAGILITIES, MEMORIES (Museu de Arte Africana, Belgrado), (Im)materiality (Lisboa, Águeda).

A sua obra está ainda representada em importantes coleções particulares e públicas, nomeadamente no Museu de Belas Artes de Montreal (Canadá), na Fundação PLMJ (Portugal), na Mishcon de Reya Collection (Reino Unido), na Edge Arts (Portugal), na Carpe Diem Edições (Portugal), na Coca Cola Collection (África do Sul), no Banco Económico (Angola), na S&A (Portugal), no Conselho de Viseu (Portugal), na Africana Art Foundation, na coleção de Fernando Figueiredo Ribeiro (Portugal), de João de Brito (Angola) e de Costa Lopes (Portugal).