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Opinião

A sombra do novo tempo

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Estamos a viver momentos de muita turbulência e de algum desconforto motivado por interesses antagônicos e de alguma incoerência patrocinada pelos novos discursos dos ” perdedores vencedores”.

No passado, intelectuais de esquerda, jornalistas renomados e opositores políticos aclamavam pelo novo estado dizendo com toda a frontalidade que era necessário combater os corruptos que delapidaram o erário público inclusive até vimos em capas de jornais e entrevistas estes pronunciamentos corajosos. Será que estas pessoas falavam com autenticidade? Ou defendiam interesses inconfessos? .

Nada mais estranho nos dias de hoje estas mesmas pessoas defenderem os corruptos e apregoarem uma nova santidade que só no tempo da infância poderíamos acredirar.

Por outro lado vemos os hipócritas dos camaradas a pretenderem se ” lambuzar ” com a nova órbita lourencista como se fossem hoje os mais coerentes e patriotas destemidos que sempre defenderam o desafio do combate a corrupção e a impunidade. Tenho defendido publicamente que o presidente João Lourenço deve ter em atenção os opurtunistas do novo tacho e não se deixar embalar por pessoas sem autenticidade e pouco sérias para os desafios reformistas que pretende desenvolver ao nível do Estado. Se o presidente João Lourenço deixar de falar sobre a necessidade de se combater a corrupção todos os militantes vão também dizer a mesma coisa, e aqui vem a pergunta: será que corrigir o que está mal e melhorar o que está bem começando pelo combate a corrupção é também o entendimento dos militantes e dirigentes do mpla? Porque é que as passeatas dos caps, dos militantes e da sociedade civil que o mpla criou no passado em sua defesa não fizeram as passeatas contra a corrupção institucionalizada e apenas hoje decidem embarcar nesta nova dinâmica defendida pelo mais alto magistrado da nação. Precisamos de voltar nos tempos da velha xica : xé menino não fala política ” ; esta canção não foi acolhida quando muito cedo um grupo de jovens decidiram entrar no associativismo e terem uma participação cívica corajosa e ousada pondo mesmo a vida quase em risco.

É importante que se crie uma nova consciência nacional assente nos valores da pátria e da autenticidade para que sejamos todos pessoas normais menos complexadas e mais puras na frontalidade e na observação dos fenómenos sem defender o sensacionalismo, o populismo ou até mesmo a subserviência. Não podemos ser como o filósofo Heráclito que dizia o seguinte: mudam-se os tempos , mudam-se as vontades, pois as vontades devem fazer parte dos processos normais de consciencialização de luta e de resistência. A velha xica já morreu e nós continuamos a falar política , diferente daqueles que seguiram a velha xica nunca falaram política e hoje têm uma pustura controversa. As minorias não vencem em quantidade, mas vencem no tempo da paciência da história.

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