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Opinião

A nossa memória de cada dia

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Por: Fabiana André 

O ser humano armazena informações através da memória. Ouvimos e falamos todo o tempo sobre isso, quando lembramos ou esquecemos algo. Mesmo sendo assunto corriqueiro, tenho a impressão que não damos a devida atenção para esta capacidade do nosso cérebro.

O sistema de memorização é algo tão complexo que envolve o lobo temporal, o neocórtex temporal, o hipocampo, a amígdala, o tálamo, o hipotálamo e o córtex pré-frontal. “Tais regiões cerebrais actuam como armazenadores que classificam factos e eventos, estímulos sensoriais, respostas emocionais, resolução de problemas e comportamento”, explica Gabriela Cabral.

Na prática, o que isso significa é que absolutamente tudo o que acontece, temos a capacidade de memorizar, quer seja de forma imediata, por curto ou longo prazo.

Tendo isso em consideração, pense na quantidade de informação que uma pessoa retém, desde o seu nascimento até a sua morte. É sobre essas informações que gostaria de reflectir um pouco mais.

Já está comprovado cientificamente que um bebé, desde o ventre, consegue absorver informações que contribuem para que se sinta amado ou rejeitado.

Ao longo do nosso crescimento, recebemos de nossos familiares uma carga de informações sobre como devemos ser, como devemos nos comportar, como devemos nos alimentar, os cuidados pessoais, dedicação ao estudo, metas de vida, etc.

Fora isso, há as informações que absorvemos observando a rotina da casa onde vivemos, da família na qual estamos inseridos, da escola que frequentamos, da cultura a qual pertencemos.

Essas informações somam para a construção da nossa personalidade e para a nossa forma de estar na sociedade.

São informações que estão, ainda que inconscientemente, armazenadas na nossa memória e nos orientam como devemos proceder em várias situações.

Experimente fazer o exercício de observar os seus familiares mais próximos. Certamente vai achar respostas para muitas coisas que faz e tenta não fazer, mas têm muitas dificuldades, como beber ou comer em excesso, por exemplo.

Por outra, a memória cria associações. Por vezes, gostamos muito de comer um alimento pelo cheiro dele lembrar momentos felizes da nossa infância. Ou criamos rejeição a outros por estarem associados a algumas decepções.

Onde quer chegar? Você não precisa ser como é. Você não precisa fazer as coisas como diariamente faz. Você não precisa viver de repetir processos tóxicos porque cresceu a ver os seus familiares a terem a mesma atitude.

Lembre-se de cuidar da sua saúde mental e sempre questionar a sua memória. Ainda que seja um hábito, questione se realmente é construtivo para você e para os que estão ao seu redor.

Nada precisa ser como é. Todos os dias você pode levantar e fazer diferente de como tem feito.

Tendo isso em consideração, questione sempre: que memória está a construir para os seus filhos? As crianças aprendem também por repetição. São detalhes que ficarão no inconsciente e farão com que essa criança externe isso na sua vida em sociedade no futuro.

Separe um tempo para olhar para dentro de si para, como Sócrates dizia, “conhecer-se a si mesmo” – frase que nunca fez tanto sentido, sobretudo nesse período que as famílias precisam ficar mais próximas e, com isso, conseguimos perceber os velhos hábitos familiares que orientaram toda a construção do nosso ser e determinam a forma como enxergamos a nossa existência.

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