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Opinião

A fragilidade do nosso sistema de saúde versus covid 19 – Van Raph

Redação

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O aumento do número de casos confirmados de coronavírus para 7, em que duas delas resultaram em mortes, acordou nas redes sociais duras críticas sobre o nosso sistema de saúde. Porem, é visível algum desespero nos últimos parágrafos dos textos publicados e nos comentários.

Fiz ontem cálculos de pedreiros para analisar a realidade do começo das primeiras mortes de Covid 19 em outros países. Enfim, começamos mal a batalha contra o coronavírus. A Itália teve as suas primeiras mortes depois de ter 16 casos confirmados, Brasil 243, Portugal 331, Finlândia 521, na RDC 23 casos e Angola?

Actualmente fala-se em 7 casos confirmados das quais duas resultaram em mortes, que corresponde a uma taxa de mortalidade de 28,57 %. Este valor é significativamente alto comparado a Itália que neste momento está com uma taxa de mortalidade de 10,84%. A meu ver, este indicador traduz de forma nítida e transparente, os estigmas de um sistema de saúde débil, e ainda, trás em rótulo o erro cometido ao se tomar a decisão infeliz de deixar de quarentena domiciliar os passageiros vindos de países que já tinham transmissão local e comunitária do coronavírus.

Além disso, as idades das duas pessoas que morreram vítimas do Covid 19, não fazem parte do grupo considerado mais vulnerável a pandemia pela OMS. Trata-se de dois cidadãos angolanos, um de 59 anos de idade residente habitualmente em Portugal que regressou no país no dia 12 de Março e o segundo caso, um jovem também angolano de 37 anos de idade, regressado a Angola no dia 13 de Março vindo também de Portugal, ambos chegaram, antes dos voos polémicos dos dias 17 e 18.

Atentar para o fato de que, os casos confirmados tiveram provavelmente contactos com muitas outras pessoas durante o período de quarentena domiciliar, com a família, amigos e outros, não é preciso ser iluminado para declarar que poderemos ter nos próximos dias novos casos de coronavírus, estou a jejuar para que muitos destes casos não evoluam para estados críticos que exigem ventilação mecânica durante o tratamento.

Enquanto os outros países estão a trabalhar energeticamente efectuando um número significativo de testes por dia, no sentido de terem indicadores expressivos que ajudam na criação de estratégias mais eficientes para a extinção da pandemia, parece-me que, estamos a caminhar a passos lentos e tímidos como se tivéssemos o receio por algum motivo dos números aumentarem de forma exponencial. Será que andaram mesmo a nos esconder alguma coisa, como dizem por ai?

Esta moratória, e a declaração do estado da emergência tardio, que a meu ver, devia ser decretado antes de termos casos confirmados da doença, têm provocado de certa forma algumas dúvidas aos dados oficias que são actualizados diariamente em conferência de imprensa. Vale lembrar, que o equipamento de teste do Covid 19 que o país adquiriu, tem a capacidade de processar cerca de mil testes em simultâneo, segundo a ministra da saúde, estes testes duram entre 24 a 48 horas, o triste é saber que até o momento foram processadas apenas 272 amostras, quando já se tem 1089 pessoas em quarentena institucional e um numero considerável em quarentena domiciliar.

O importante agora, é saber que começar mal não significa perder a guerra, é necessário manter o foco nos objetivos, analisar os erros, talvez consegue-se pensar no que fizemos bem ou mal na gestão desta pandemia que virou bomba relógio. Penso que, precisamos trabalhar em outro ritmo e não parar enquanto não atingirmos o grande objectivo, erradicar o coronavírus. Deve-se cumprir de forma exemplar o estado de emergência decretado, intensificar as medidas de prevenção contra Covid-19, só assim pode-se evitar a rápida propagação deste vírus e ajudar a não colapsar o nosso sistema de saúde que já é débil.

Fique em casa

 

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