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A derrota de Samakuva e a restruturação da UNITA – Coque Mukuta

Redação

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Com 594 votos, correspondente a 53,46 porcento dos 1.111 delegados o deputado Adalberto Costa Júnior foi eleito presidente da UNITA no congresso que terminou na última sexta-feira, 15, em Luanda.

Adalberto Costa Júnior (ACJ), precisava apenas de 556 votos para ganhar, mas conseguiu, na primeira volta, tendo derrotado Alcides Sakala, porta-voz do partido, Raúl Danda, vice-presidente, Abílio Kamalata Numa, general, e José Pedro Katchiungo, deputado.

Com este resultado, Júnior é o terceiro presidente do “Galo Negro”, depois do fundador e líder histórico, Jonas Savimbi (JS), e Isaías Samakuva (IS), eleito após morte de Savimbi em 2002.

A derrota de Samakuva
Samakuva em nenhum momento consentiu uma segunda derrota sua em um ano, mas o senário se complicou, cada vez mais, por sua própria culpa.

A “indecisão constante” de Isaías Samakuva, se concorre ou não a sua própria sucessão e/ou quem séria o seu delfim/sucessor, assim como, a discriminação de alguns históricos da UNITA estão na base das suas derrotas:

1. Isaías Samakuva num jogo de “rato e gato” tentava criar condições para continuar na liderança do Galo Negro, prova disso, foi o facto dos seus  “operativos” procurarem a todo custo criarem naltura, uma opinião pública favorável à mais uma reeleição de Isaías Samakuva. Foi assim que através da Rádio Despertar, foram usados os deputados Makuta Nkondo, Sidiangane Mbimbi e David Mendes para defenderem sua continuidade.

2. Momentos mais tarde, Isaías Samakuva orientou que a sua estrutura fundamental apoiasse Alcides Sakala, (mesmo Sakala rejeitando por todo canto, estava claro o apoio de IS, à Sakala), dias depois, quando percebeu que o Alcides Sakala não gozava de boa simpatia, Isaías Samakuva orientou a entrada em jogo do seu sobrinho Liberty Chiaka, mesmo assim nada, o senário estava cada vez mais nublado. Samakuva recupera Alcides Sakala e definitivamente apoia Sakala.

3. Ainda assim pequenos focos da sua “staff”, realinharam “estrategicamente” para o seu “candidato de animação” José Pedro Katchiungu, que obteve apenas 10 votos dos 1.111 delegados.
4. Os delegados em Luanda, Samakuva volta a cometer um novo erro fazendo o seu pior discurso na sessão de abertura do XIII Congresso, elogiando seu adversário João Lourenço, o quadro geral dos delegados muda e assim percebe-se que a continuidade de “delfins/protegidos” de Samakuva era mais para a defesa de João Lourenço e não para que a UNITA chegue ao poder.
Contas feitas, Isaías Samakuva apanha a sua segunda derrota:

Primeira Derrota: Isaías Samakuva foi forçado à não concorrer, pela dinâmica dos “anciãos” e a quem diga que, mesmo que concorresse: “desta vez Samakuva séria derrotado nas urnas”.

Segunda Derrota: Alcides Sakala à Isaías Samakuva quem colocou seus créditos, obteve apenas 422 votos, cerca de 37,9 porcento e José Pedro Katchiungu com apenas 10 votos que perfaz 0,9 porcento. Por fim, Samakuva foi colocado na lista da Comissão Política montada pelo “mais velhos” daquele partido, como número sete (7) ou seja, vai sendo relegado para o segundo plano.

O Sequestro de Samakuva
Enquanto Isaías Samakuva estava na liderança da UNITA, “cegamente” tinha sido sequestrado por um grupo político que decidia muitos assuntos dentro da UNITA.

Samakuva tinha a seu redor uma máfia, constituída por mais velhos, como: Piedoso Chipindo Bonga, Samuel Chiuale, Ernesto Mulato, Eugénio Ngolo “Manuvakola”, Mártires Correia Victor e Isaías Chitombi e jovens, como: Celso Torres, Diamantino Mussokola, Rafael Massanga Sakaita Savimbi, Franco Marcolino, Alcibíades Kopumi, Mihaela Ezsébet Neto Webba Kopumi e Claudio Silva. Estes eram responsáveis de todas as falcatruas dentro da UNITA nos últimos anos.

A luta pelo poder de Adalberto Costa Júnior
Tudo começou quando os jovens de Samakuva (Rambos), foram ocupando mais espaços do que os mais velhos.

Isaías Samakuva foi perdendo assim os seus antigos aliados, alguns claramente abandonaram todos os planos de Samakuva, outros se mantiveram “fingidamente”, prova disso, é que (IS), colocou na Comissão Organizadora do Congresso Gabriel Samy e Rúben Sicato todos eles aliados de Adalberto Costa Júnior.

Com afastamento de algumas figuras de proa da direcção da UNITA, Adalberto Costa Júnior inteligentemente foi acomodando alguns veteranos com subsídios vindos do Grupo Parlamentar daquele partido. Tendo como exemplo, os subsídios que ACJ pagava ao Chipindo Bonga após ter sido excluído da lista de deputados pelo Samakuva. Sabe-se que até filhos foram sendo acomodados.

Júnior foi ganhando apoio de várias sensibilidades dentro da UNITA, com um super apoio de antigo estratega de Samakuva, professor Piedoso Chipindo Bonga.
Secreta entra em acção.

O grupo de Adalberto Costa Júnior estratificou a sua “staff” de campanha em vários níveis. Até generais tinham um responsável para trabalhar: “Fernando Miala por exemplo é citado em circulos privados da UNITA, como tendo chegado ao ponto de notificar um general no activo das FAA, para que deixasse de apoiar Adalberto Costa Júnior” contou um fonte. A maior preocupação dos serviços secretos era de um possível apoio do grupo de José Eduardo dos Santos à Adalberto Costa Júnior para lutar contra João Lourenço. A campanha de ACJ era acusada de estar a ser apoiada pela Engenheira Isabel dos Santos: “esta é a lista dos marimbondos” acusavam alguns apoiantes de Sakala.

Chipindo Bonga criou para Costa Júnior núcleos de delegados com um mando único. Aí ia se estruturando a victoria de Adalberto Costa Júnior desenhada por jovens e velhos.

Figuras fundamentais da victória de Adalberto Costa Júnior

Mais Velhos: Piedoso Chipindo Bonga, Samuel Chiuale, Ernesto Mulato, Isaías Chitombi, Demósthenes Chilingutila, Isaías Chitombi, Horácio Junjuvile e Eugénio Ngolo “Manuvakola”.
Jovens: Faustino Mumbica, Adriano Sapinala, Alcino Kuvalena, Nelito Ekuikui e João Chitunda.

A restruturação da UNITA

Já começaram as primeiras restruturações.
Arleth Chimbinda indicada primeira Vice-presidente da UNITA. Simão Albino Dembo – Segundo Vice-presidente da UNITA. Álvaro Daniel – Secretário Geral da UNITA, Mwata Virgilio Samussongo – Primeiro Secretário Geral Adjunto da UNITA, Lázaro Kakunha – Secretário Geral Adjunto para as Autarquias e Liberty Chiyaka – Presidente do Grupo Parlamentar.

Adalberto vai ainda contar com o filho de Savimbi, Durão Tcheya Savimbi para área do património, Jardo Mwekalia para o cargo de Secretário para Relações Internacionais do seu executivo.

O início do Sequestro de Adalberto Costa Júnior

Há um novo grupo de jovens a controlar a liderança da UNITA, Faustino Mumbica, Adriano Sapinala, Alcino Kuvalena, Nelito Ekuikui e João Chitunda.

Do lado dos mais velhos, decidem o andamento da máquina de Adalbeto Costa Júnior, nomes como: Piedoso Chipindo Bonga, Samuel Chiuale, Ernesto Mulato, Isaías Chitombi, Demósthenes Chilingutila, Isaías Chitombi, Horácio Junjuvile e Eugénio Ngolo “Manuvakola”, os mesmos que haviam sequestrado Isaías Samakuva.

Oposição interna ao Adalberto

Enquanto isso, vai se criando uma oposição interna e um nível elevado de descontentamento de vários membros influentes por não terem sido indicados para a Comissão Política da UNITA.

A indicação dos novos quadros “Vice-Presidencia e Secretariado Geral”, sem alinhamento dos filhos de Jonas Savimbi é outro motivo de descontentamento.

Este descontentamento poderá agravar nos próximos dias, caso o grupo de Adalberto Costa Júnior “menospreze” os apoiantes de Alcides Sakala.

Bastidores do dia D

A deputada e jurista Mihaela Ezsébet Neto Webba Kopumi esposa separada do Sobrinho de Isaías Samakuva defendia e pressionava a eliminação da candidatura de Adalberto Costa Junior por razões de dupla nacionalidade. Para sua infelicidade Adalberto já estava enraizada em várias comissões inclusive a de mandatos que teve como missão validar as candidaturas.

Jornal de Angola, Rádio Nacional de Angola inclusive a Radio Despertar ligada a UNITA todas contra a sua candidatura ainda assim Adalberto Costa Júnior venceu o pleito.

No dia D, vimos jovens como João Chitunda tremendo de ansiedade, torcendo para a vitória de Adalberto Costa Júnior.

Ficava cada vez mais clara que ACJ vai vencer quando um dos filhos de Jonas Savimbi apoiante de Sakala foi desafiado pelo Deputado Nelito Ekuikui a uma após de cem mil kzs e rejeitou.

Momentos mais tarde Rafael Massanga Savimbi mostrou-se preocupado com a pressão da mídia, tendo naltura se efectivado a derrota final se Grupo de Isaías Samakuva.

Contagem dos votos

“ACJ tem apenas 230 votos” dizia pelo corredor Mihaela Kopumi, desenhando uma segunda volta entre Alcides Sakala e Adalberto Costa Júnior que não veio a se efectivar por ter ACJ perdido apenas numa das dez mesas existentes.

Por fim a entrada de Adalberto Costa Júnior mais aplaudida que de Samakuva era assim o fim de um político que permaneceu da liderança durante 16 anos. Tal como diz a célebre frase “quem tudo quer tudo perde”.

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