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“A decisão que agora tomo me torna livre”

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O político e jurista Mfuca Muzemba anunciou, hoje, através de uma carta, a sua desvinculação da UNITA, partido ao qual ingressou em 2007, tendo, inclusive, assumido o cargo de Secretário Geral da Juventude Unida Revolucionária de Angola (JURA), o braço juvenil do Galo Negro.

No documento, Muzemba diz que a decisão surge “após um longo período de afastamento, originado por sucessivos bloqueios internos”.

De recordar que Mfuca Muzemba foi eleito secretário geral da JURA no congresso de 2010, sendo suspenso por 24 meses da organização, a 6 de Setembro de 2013, por, segundo acusações, ter solicitado à Embaixada de Portugal vistos para cidadãos congoleses em nome da JURA e por receber somas avultadas de dinheiro do general e empresário Bento Kangamba.

Em entrevista concedida à época, Mfuca Muzemba alegou que “infelizmente” teve um mandato que não terminou, “resultado de situações políticas que considero terem sido criadas para o propósito. Procurei esclarecer a verdade dos factos ou das acusações que pesavam sobre mim, com toda a frontalidade e, penso, que essa minha pequena passagem pela JURA foi de alguma forma um momento que me ajudou a crescer politicamente; a perceber melhor os meandros da política e, de alguma forma, a ter um sentimento mais profundo pela política”, disse sobre o ocorrido”.

Desde então, Muzemba prosseguia suspenso de todas as suas actividades dentro do maior partido na oposição, sendo que hoje decidiu anunciar que deixa o partido “sem qualquer sentimento de mágoa e muito menos tristeza”.

“A decisão que agora tomo me torna livre como um peixe que volta para água. Vou continuar a me dedicar ao país”.

A frente da JURA, Mfuca Muzemba, protagonizou, juntamente com o malogrado Luther Rescova, na JMPLA, braço juvenil do partido no poder, um dos melhores cenários da política partidária juvenil no país, com muitos analistas a considerarem a “disputa” entre os dois como “saudável”.

Durante muito tempo, Muzemba foi o deputado mais jovem da Assembleia Nacional. Nascido em Luanda, em Agosto de 1981, começou a envolver-se com a política ainda no oitavo ano, quando o país enfrentava a guerra civil e a extrema pobreza.

“Esse período exigia de nós algum esforço para que apelássemos ao fim do conflito armado e, de alguma forma, pressionássemos as instituições vocacionadas para que terminasse o sofrimento do povo. Era muito triste ver a realidade do país. Como não podíamos, directamente, fazer política, porque éramos muito miúdos, então começámos a integrar os movimentos de estudantes”.

De membro de movimentos estudantis, chegando mesmo a criar, em 2003, o Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), que organizou várias acções, inclusive com apoio de organizações internacionais pelo fim dos conflitos armados, após ingressar na JURA e ver o seu mandato suspenso, Mfuca Muzemba passou a dedicar-se a debates sobre o cenário político nacional e panafricano, bem como a projectos pessoais.

Mfuca, finaliza a carta destacando que em breve anunciará a “decisão de abraçar novos desafios”, sem, no entanto, avançar detalhes.

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