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Mbuandja na Kianda

A cultura do Ministério da Cultura

Vasco da Gama

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Tenho muitas dificuldades, sinceiramente, de compreender a verdadeira função do “nosso” Ministério da Cultura.

Uma das duas: Ou eu não percebo patavina alguma do que vem a ser CULTURA DE UM POVO ou o Ministério anda, de longe, perdido nas águas profundas do oceano atlântico!

Ora, vejamos:

Os antigos ministros da cultura, todos e quase que de forma unânime, entendem que nós perdemos a nossa cultura, na generalidade. E, por isso, defendem todos, que é preciso a resgatar.
Até aqui, estou dentro!

Minutos depois e durante o acto de homenagem aos mesmos, a actual “boss” da cultura abocanha-se do microfone da TPA e a “grande” promessa que faz (como que fosse o que vai resolver o problema identificado pelos seus antecessores) é que o SEMBA vai ser considerado Património Cultural Mundial. (grande novidade para 2020, segundo a mesma)

Aqui, já estou fora…

Fora, porque não entendo se valha a pena apostar nisso de Património daqui e acolá se, na verdade, os jovens comem sem orientação alguma;

Se os jovens já vestem os biquínis para andar nas ruas;

Se as músicas que “batem” são aquelas em que se fala de rabo, penis, vagina, clitóris e beijos da boca, nos termos mais cruéis;

Se os vestidos de noite hoje passaram a ser para festas de dia, e até missas;
Se beber cerveja na rua é o normal e que mais banga oferece;

Se olhar para dirigentes do país é como que de um inimigo se tratasse;
Se desconhecer os símbolos nacionais é o normal;

Se falar português e somente português é o aceitável;

Se comer “bué” de frangos com tóxinas é o recomendável.

Enfim, no meu conceito errado de cultura, também o é o de Baptista Mondim, citado por Manuel Imbamba as incompreensões são tantas!

Porquê apostar na cultura diplomática (aquela que exibimos lá for como sendo nossa) quando aqui na Angola profunda a coisa é bastante diferente?

O que é que o SEMBA faz nas nossas vidas e diaramente se quem o vai dançar sai de casa nua, embriagada a qualquer hora?

Qual é a importancia do Kuito Kuanavale, lá fora, se os que nasceram lá têm vergonha de se identificarem como nativos de lá e nem sabem o que vestir, como e quando vestir para ser identificado como tal?

Vale apena apostar em Mbanza Kongo se os natos, hoje, têm vergonha de comer com os dedos como é a antiga cultura deles? Se são “langas” e, por isso, têm que se esconder em Luanda?

Para quê “patrimonializar” o Semba se o kuduro que fundamos “ontem” já não se pode assitir ao lado da filha, da sogra e da mãe porque os “rabos” soltos, as reboladas com gemidos são indispensáveis e ainda passamos nas rádios, tv, como a nossa cutura fosse de gente nua?

Enfim, o meu conceito errado da cultura não me permite compreender a função, real do Ministério de tutela… mais grave ainda é o facto de todos eles pensarem que reconhecer isso e aquilo na UNESCO é o melhor que podem fazer!

Epá, há que assumir mesmo porque tenho muitas dificuldades, sinceiramente, de compreender a verdadeira função do “nosso” Ministério da Cultura!

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