Connect with us

Opinião

A Covid-19 e a geopolítica das vacinas

Published

on

Por Moisés Kambundi
Professor e escritor

A Covid-19 teve início em 2019, um surto que, os primeiros casos do vírus tiveram origem no mercado de frutos do mar da cidade de Wuhan, na China. As primeiras ocorrências foram relatadas na virada do ano 31/12/2019 e a incidência aumentou de maneira exponencial nas primeiras semanas, embora, exista informações que os casos já existiam muito antes da referida data, o próprio Robert Redfield, director do centro de controlo de prevenção e doenças dos EUA, admitiu existirem casos de coronavírus em solo americano antes de serem identificados em Wuhan.

O que fomos verificando amiúde, é uma troca de acusações constantes, ao invés de definir linhas de actuação sobre como dirimir o assunto. A China acusa um estrangeiro, ou seja, o porta voz dos negócios estrangeiros chinês, Zhao Lijian, acusou de forma directa os americanos, pois, os soldados americanos, participaram num exercício militar em Wuhan, região que registou os primeiros infectados da pandemia. Todavia, os EUA acusa a China, denominando por vírus chinês, e D. Trump não poupou acusações neste sentido, portanto, jogos de interesses e acusações perduraram durante meses, as soluções foram paliativas e isoladas, até se perceber que o mais importante seria unir sinergias e responder o problema.

Acredita-se que o vírus Sars-CoV-2 possua como hospedeiros determinadas espécies de morcegos e o pangolim, um animal consumido como alimento exótico em algumas regiões da China. Outras informações, levantam a hipótese de ser um vírus laboratorial, que os chineses estavam a criar o vírus para uma possível guerra biológica e que, por alguma falha no referido laboratório, não se conseguiu conter a propagação, culminando com a situação que assolou à todos. Há várias teorias, várias nuances, várias acusações, porém, os Estados deviam desde as primeiras ocorrências, sentarem-se, cooperarem e não usarem tal situação infortúnio como aproveitamento político, pois o assunto é grave, e volvidos quase 2 anos, é o momento de sentar e perceber o que de facto ocorreu, e reparar os danos reparáveis, unidos, porque foi uma situação que fustigou todos, deu cabo da economia, do turismo e da vida das famílias, logo, é mais do que justo uma informação plausível, clara e justa a fim de recomeçarmos.

Esta perda de tempo em troca de acusações, fez com que muitos países, considerados como países do primeiro mundo, tivessem um insucesso tão grande no combate a pandemia, não tanto pela incapacidade funcional, mas por serem Estado soberbamente capitalistas e o seus sectores de saúde em grosso modo, todos voltados a vertente privada, o que não seria possível, pela incapacidade financeira de muitos serem atendidos nos hospitais privados. A saúde e a educação, devem ser de exclusividade dos Estados, não podem ficar desamparados, por esta razão, países como Portugal, Dinamarca, e até mesmo Angola, tiveram um grande bambúrrio em relação aos países do primeiro mundo, no combate ao covid-19, porque, mesmo com deficiências que são visíveis, as pessoas têm menos condições financeiras e buscam hospitais públicos, logo, estes apetrecham consoante as suas sociedades e as suas realidades, mas é ali onde o grosso busca. As repostas de muitos foram sublimes, hospitais de campanha, criados para responder prontamente a situação com alguma eficácia, caso que não vimos nos EUA por exemplo, e Barack Obama, usou como arremesso o fracasso na resposta a pandemia da covid-19 após ver o seu projecto OBAMACARE ser revogado pela nova liderança, que, provavelmente seria um sucesso nesta situação. A inação custou o lugar do D.Trump, não teve punho para estancar o problema numa economia capitalista selvagem. As lideranças têm um papel fundamental nas variadas vicissitudes sociais.

Algumas teorias, afirmam estarmos perante uma guerra biológica, mas nós, consideramos como uma nova guerra fria, em que há todo tipo de instabilidade possível,
em que há movimentações de homens e meios de guerra, sem por isso, resvalar a uma guerra violenta, mas propícia para tal, ou seja, é um prenúncio. E se as próximas guerras no mundo serem deste cariz? E se a China deu um alerta ao mundo sobre a sua capacidade de guerra biológica? E se foi os EUA?

O que podemos aqui depreender é que, independentemente das hipóteses, há jogos estratégicos, há interesses, muitos países ficaram parados, sem produção, mas a China continuou a produzir, matérias de saúde e hospitalares, testes e afins, a sua economia não parou de alguma forma, quando os outros começaram a tratar deste assunto, os chineses já se tinham afirmado pelo mundo, uma estratégia muito boa, criar o caos e vender a solução. China fez demonstração de poder e muitos não acompanharam, o que sentenciou e está a sentenciar vários líderes, para a não proatividade na resposta. Posições estratégicas, poder, política, economia, diplomacia, poucos países conseguiram acompanhar.

O outro dilema, é relativamente as vacinas, que poderia ser uma assunto resolvido com cooperação, mas não, cada um quis mostrar o seu poder, a sua capacidade sem ajuda, mesmo com vários alertas da OMS, para haver solidariedade, não ocorreu, as vacinas eram sinónimos de poder, e quem fosse o primeiro a criar a vacina, para a posterior vender ou doar ao mundo, estaria a trazer aliados a si, contudo, quem tem a solução é quem conseguirá granjear mais aliados, todo este processo passou a ser demonstração de poder, de capacidade de resolver problemas, era mais poderoso que o outro. Jogo estratégico, que tem dividido os europeus no tocante aliança com os EUA.

As vacinas BioNTech, Pfizer Oxford, AstraZeneca, Sinopharm BBIBP, Sputnik V, e muitas outras que nascerão no decurso do tempo, representam povos e Estados, não é uma simples questão de vacina, mas sim demonstração de poder, de força. Quem mais doou ou vendeu vacinas em África ou mesmo no mundo? A Rússia anunciou ser a primeira a ter a vacina, mesmo não obedecendo todos os padrões possíveis recomendados pela OMS, mas anunciou e começou a vacinar os seus em grande escala, disponibilizando ao mundo. Não é somente vacina, é jogo de poder, é afirmação geopolítica.

Podemos ainda elencar questões de nuance Segurança Nacional, para proteger o meu próprio povo, não confiar na vacina de outro Estado que poderá ser uma armadilha, por isso, houve a recomendação da cooperação, para todos tirarem proveito disto sem máculas ou desconfiança.

Estes jogos estratégicos, têm redefinido as políticas internacionais ao mais alto nível, doravante, impera alguma parcemónia, sensatez aos líderes internacionais e aos seus Estados, porque o jogo no tabuleiro mudou e o crescimento da China é um dado a ter em conta, acrescendo o seu maior aliado, Rússia, ficará mais fácil atingir outros patamares. Coronavírus, vacinas, está a ser uma lufada de ar fresco para a política internacional, o pódio será para que melhor souber aproveitar.

Contudo, hoje, com milhões de pessoas vacinadas pelo mundo, ainda se vislumbra qual a melhor e a mais procurada, pois é dado como hegemonia, aliás, todos países com direito de veto no conselho de segurança das Nações Unidas conseguiram ter sucesso, mas há outros que já há algum tempo exigem reformas e reposições nas Nações Unidas, e não foram atendidas, se mostraram capazes a responder positivamente, é o caso da Índia, que vem ganhando espaço na comunidade internacional.

Geopolítica e geoestratégia.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Advertisement

Colunistas

Daniel Sapateiro
Daniel Sapateiro (18)

Economista e Docente Universitário

Ladislau Neves Francisco
Ladislau Neves Francisco (25)

Politólogo - Comunicólogo - Msc. Finanças

Olivio N'kilumbo
Olivio N'kilumbo (21)

Politólogo

Vasco da Gama
Vasco da Gama (89)

Jornalista

Walter Ferreira
Walter Ferreira (21)

Coordenador da Plataforma Juvenil para a Cidadania