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O passamento físico prematuro da advogada, na zona do Zango III, ao Município de Viana, em Luanda e que está a dominar a discussão pública e a fazer opinião, deve ser, neste momento, aproveitado para que, de uma vez por todas, se abra uma discussão nacional sobre a fidelidade feminina para com o parceiro que, a ser feita, seria o regresso às origens.

É uma discussão que urge para que, no final, possamos perceber o aumento exponencial de casos de violência nos casais, fundamentalmente de jovens recém unidos. Procurarmos perceber o que estaria na base de um esposo jovem, religioso, trabalhador, como ouvimos, espancar a própria esposa até ao ponto de a matar. Quais seriam, efectivamente, os reais motivos desta atitude? O que ocorreu, na verdade? Como se chegou a este ponto? Houve ou não consciência no resultado?

Estes e outros questionamentos são os que devem dominar uma análise, discussão construtivas tendentes a compreensão daqueles factos, especificamente no caso da advogada, que, para este efeito, utilizamos como amostra.

No entretanto, longe de defender o seu esposo, agora homicida, cuja atitude é reprovável a todos os termos e por isso defendemos instantemente a sua exemplar responsabilização criminal, importa defender e chamar, também, uma discussão profunda que transcenda o acto de pegar um bloco e atirar contra a pessoa que há muito jurou ser o amor da sua vida.

É nesta senda que dias após a sua detenção, o jovem pastor diz – pelo que ouvimos e lemos na imprensa – que tudo começou depois de ter tomado contacto com um conjunto de mensagens da malograda em que ficou patente a existência de um relacionamento extra conjugal. (namorar com outra pessoa para além do parceiro (a)) e é aqui onde nos parece residir o problema de fundo, a substancia em quase todos os casos desta natureza cujo fim tem sido trágico, na generalidade.

E tem sido assim porque um “bantu” angolano ou mesmo africano, no geral, educado desde a tenra idade nos valores baseados numa relação entre homem e mulher em que a mulher deve ter um único homem, como sendo o mais elementar valor para que se mantenha uma união entre estes, um valor que, embora questionável modernamente, ainda está presente nas nossas culturas, forte e quase não dinâmico, pelo menos até agora, um valor rígido, a sua quebra tem uma resposta cujo resultado é imprevisível.( não é menos importante que por causa das mensagens o pastor homicida tenha atingido fatalmente a parceira cujo corpo já repousa no campo santo do Benfica, em Luanda).

É assim que para o angolano, fruto da sua educação, dos seus valores, princípios e regras de vária ordem, mulher casada (incluam nesta noção a união de facto, reconhecida ou não, reúna ou não os pressuposto para isto) e matem relações amorosas com outro homem recebe o nome de prostituta. Neste sentido permitam falar um pouco sobre esta designação, (prostituta) dentro do espirito da nossa cultura africana e especificamente angolana.

(No meu bairro, Vila Nova, nos Buengas, Uíge, por exemplo, o termo prostituta é para os clássicos, “assimilados” escolarizados e, também, aculturados. Os diferentes destes dizem que uma mulher casada que mantenha relacionamentos fora do casamento chama-se “puta”. Assim mesmo! Uns chamam-na por “cuarra”. É este o linguajar angolano e que, para esta análise vamos valorizar porque é do regresso às origens que estamos a falar.
Na mesma cadeia de valores critica-se um homem que sabendo que uma determinada mulher é casada mantem relações amorosas com ela. Este, também, recebe o mesmo pejoratismo que a mulher puta. Pressupõe isto dizer que tal como não aceitamos que casadas tenham namorados, de igual forma não concordamos que homens tenham conhecimento de mulheres casadas e mesmo assim tudo fazem para namorar com a mesma.

Agora voltemos ao caso da advogada: A ser verdade que as discussões do casal que culminaram com a morte dela resultaram da comprovação do relacionamento extra conjugal e considerando que nos últimos anos acontecimentos similares ocorrem reiteradamente, somos de entendimento que a discussão nacional tenha como foco este item e não a dispersão de razões que em nada vai ajudar a encontrar respostas salutares.

No entanto, há que assumir que o aumento de mortes e de outras atitudes violentas por parte dos homens e às vezes de mulheres, resulta do facto de estarmos a viver um momento em que a população feminina quer inverter valores seculares e, essencialmente, naturais:

Quer que os homens aceitem a existência, no seu seio e quase permanentemente, a existência de um segundo homem. Dito de outra forma: a mulher angola – a que mais acompanho, quer que mesmo casada possa ter um namorado quando bem quiser. Quer uma vida que se compara, nalguns casos, com a de certos homens. Quer, no fundo, confirmar a poliandria (mulheres que se envolvem com mais de um homem. A tal mulher “puta”, “cuarra” que acima traçamos o perfil).

Diante da resistência feminina a um valor natural e divino está a reação masculino, a dos homens que, como dissemos, nascem e crescem educados e ensinados na teia de que quando se parte para um casamento com uma mulher, esta deve ter um único parceiro, daí que as traições terminam, normalmente, em tragédia como a que nos motiva a trazer esta abordagem.

No entanto, na tentativa de mudança de paradigma, no choque de defesas entre a mulher e o homem, modernos, com todos os riscos e consequências visíveis na nossa sociedade – mortes e toda a violência assustadora – urge, desde logo, discutir o problema de forma holística, ou seja, estender o debate a este conflito. Questionar se temos que chegar ao estágio de os homens aceitarem mulheres que tenham outros parceiros u não aceitarem e a partir deste estágio projectar um programa de educação/reeducação tendente a resolver o problema, pois, A MORTE DA ADVOGADA É UM INDICADOR DA REJEIÇÃO MASCULINA DA POLIANDRIA MESMO QUE DISSIMULADA!

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