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A conferência de imprensa do Presidente da República, João Lourenço, Hoje, ficou marcada por um incidente, quando a filha de um antigo militante do MPLA interrompeu João Lourenço e pediu para ler um poema sobre a tortura de 27 de maio, na década de 70. Surpreendido, o chefe de Estado disse que não era o momento apropriado.

“Peço desculpa, eu sou órfã do 27 de maio, desculpe comandante”, começou por dizer Ulika dos Santos, dirigindo-se ao Presidente angolano, aproveitando uma pergunta de uma jornalista portuguesa sobre os acontecimentos daquela data.

“Sozinha [Ulika, em língua nacional umbundo], há 41 anos nós temos vindo a atravessar este silêncio ensurdecedor por parte do Governo angolano”, disse Ulika dos Santos, filha de Adelino António dos Santos, então dirigente da juventude do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, partido no poder desde 1975).

“Posso ler o poema pela memória do meu pai? Tive de fugir do meu país devido ao risco de morte do meu pai”, insistiu.

João Lourenço ainda deu instruções à segurança para que a deixassem acabar a intervenção, mas não autorizou que declamasse o poema, por se tratar de uma conferência de imprensa, com dezenas de jornalistas portugueses e angolanos.

No final da conferência de imprensa, Ulika foi levada pelos serviços de segurança, enquanto repetia, em lágrimas: “Não estou armada, só vim para ler um poema ao meu Presidente”.

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