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E, eles falaram, falaram mas disseram nada

Vasco da Gama

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e, eles falaram, falaram mas disseram nada - Debate zimbo Jovens - E, eles falaram, falaram mas disseram nada

A TVZimbo produziu, como tem feito nos últimos anos, mais um debate que abordou uma temática que se encache nos nossos dias, – O Papel das Organizações Juvenis Partidárias no Desenvolvimento do País – que, desde já, contou com participações de jovens líderes das juventudes do MPLA, Luther Rascova, da UNITA, Ali Mango, da CASA-CE, Rafael Aguiar e o em exercício da FNLA, Figueiredo Dias, numa moderação “de sempre” – como ele mesmo gosta de dizer – de Amílcar Xavier, Director para a informação da primeira TV privada angolana.

Sobre o que disseram pouco temos a acrescentar, porquanto todos ou muitos vimos o mesmo filme. Acrescentamos, isso sim, é o que entendemos e interpretamos das suas defesas, individualizadamente, numa perspectiva analítica e que não fugirá, com certeza disso!

Vejamos:
O pontapé de saída foi dado pelo moderador, Amílcar Xavier, e de seguida vieram às primeiras respostas, os primeiros questionamentos e, como poderão concordar comigo, os primeiros ataques estratégicos bem e mal conseguidos, para uns e outros – fruto, em parte, da estratégia montada pelo moderador.
Do positivo: Ali Mango, representante da juventude da UNITA, começou muito bem, avaliada a tonalidade da voz, o controlo do equilíbrio corporal, o seguimento gestual dos dedos ao discurso, a pausa e o completamento das frases, e com isso, das ideias iniciais (embora poucas) e, finalmente da calma no exercício do seu tempo disponível, elementos que no sentido de avaliação valeram-lhe uma nota acima de dez valores e, por isso, está de parabéns.
Luther Rascova, começou, igualmente, bem considerando a tranquilidade com que discorreu os argumentos iniciais, a vinculação da nação no seu pensamento e, acima de tudo, o uso do plural nas suas defesas, traduzindo-se na ideia da cientificidade – que defende isso mesmo hodiernamente – da humildade com o conhecimento e expressão do “plural de cortesia” que lidera, hoje, os discursos feitos no modo dos textos argumentativos – que «são todos aqueles (…) que visam convencer, persuadir ou influenciar, o destinatário (nós os telespectadores, no caso) ao qual se apresenta um ponto de vista cuja a autenticidade ou validade se deve provar», postura que em termos de avaliação, como fizemos acima, lhe dá, também, uma nota acima de dez valores.
Rafael Aguiar, por sinal o mais velho de todos, no sentido etário, teve um discurso inicial (atenção que estamos a analisar somente o “introito” de todos) que, para esta análise, e em homenagem ao princípio da economia espacial e temporal, remetemos à apreciação feita ao de Luther Rascova, incluindo a pontuação, que se situa acima dos mesmos dez valores.
Figueiredo Dias: incaracterístico e, por isso, aqui fica, como diria, o Elias Xavier Fernandes, de boa memoria, argumento que justifica a atribuição de uma nota abaixo de cinco valores.

Dito isto, vamos analisar, agora à substância de todo o debate já que o que vimos tem a ver com a forma:
Em primeiro lugar constatamos, quer no começo, durante e no fim do debate, que havia um desfasamento, não havia conexão entre o tema e a abordagem, a discussão pois, “O Papel das Organizações Juvenis Partidárias no Desenvolvimento do País”, anunciado pela Zimbo ficou nisso mesmo. Somente nos anúncios! Por exemplo: perguntar, logo de início – que balanço faz deste primeiro ano da governação de João Lourenço – é, para efeitos daquela discussão instigador à fuga. O mesmo se dirá quando em resposta se disse dentro fuga instigada que – felizmente o MPLA está a implementar o programa da UNITA.

Ficou nos anúncios fruto, como dissemos, da fuga instigada pelas questões colocadas pelo “regente”, por um lado e por outro, do desempenho, da postura e do pensamento caduco, alienado nalguns casos, mais uma vez, dos contendores que, neste vetor de avaliação, passamos a detalhar a seguir, separadamente:
Luther Rascova, um jovem que política e ideologicamente é produto, e por isso, fiel a José Eduardo dos Santos cuja ideologia é comunista daí não conseguir, nunca, “sofrer calado” uma das atitudes que se aconselha em debates urbanos (atenção que, debate urbano não significa excessivamente disciplinado como vemos Angola por dentro).

Não aceita críticas, a si, aos seus interesses e mais, aos seus superiores hierárquicos, por isso que, tudo que se disse contra o seu MPLA e presidente a reação foi a menos adequada, perdendo tempo nisso sem apresentar ideias lógicas, construtivas, inovadas, inovadoras e sequenciais, embora tivesse dado conta do inicial desfasamento do tema ao debate mas não teve astúcia suficiente para vender o seu peixe dentro dos propósitos que motivaram a sua presença.

Em fim, Rascova não soube contrariar o ditado popular que diz que “quem tiver dar corrida a um demente despido não deve andar, igualmente, despido sob pena de as pessoas perceberem que dois dementes estão em corrida”, e o jovem político da jota, analogicamente infelizmente tirou tudo e pareceu-se a isso…

Ali Mango, um jovem excessivamente fiel a Isaías Samakuva que aproveitou o ensejo para dar razão ao nosso artigo da semana finda acoberto do tema “Liderança da Jura: Uma luta por um produto depreciado” publicado no Correio da Kianda e retomado noutras plataformas de comunicação.

Demonstrou que não é autónomo até no pensamento, aliás, para fazer juiz a isso começou logo por afirmar que, início de citação, “a UNITA, na pessoa do seu Presidente, Isaías Samakuva defendeu, recentemente (…)” fim de citação, chamamento que continuou a fazer ao longo dos seus argumentos.

Ficou no discurso de “bairro” de rua, que demonstra, claramente, que é um jovem que reproduz opiniões, o que é bom em certo ponto, mas ao mesmo tempo demonstrou que as suas opiniões não e nuca – se continuar assim – serão reproduzidas pelos outros, porque não as sabe fazer com a coerência discursiva e sequencia textual que elas impõe.
(embora entendamos que tal postura, de fidelidade ao Samakuva esteve na base da sua eleição ao cargo de Secretario Geral da JURA e a evidenciou, neste debate, porque sabia que concorre a sua própria sucessão, estava a ser a visto pelos mesmo promotores de sempre e com isso arrancaria mais simpatias).

Quanto ao representante da JFNLA, Figueiredo Dias, incaracterístico, como dissemos e reiteramos, por isso não merece, pelo menos neste exercício, uma avaliação.

Em suma, os representantes da juventude partidária (porque foram lá para representar os jovens que participam dos movimentos juvenis político-partidários e não todos os jovens, incluindo os não políticos que são a maioria deste País), falaram muito, discutiram muito, durante tempo aceitável mas, no final de tudo, disseram nada, ou seja, não disseram o que os jovens, fundamentalmente, os seus membros gostariam de ver e ouvir num programa televisivo, eventualmente, de maior audiência naquela estação.

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