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AKWÁ: O símbolo do desperdício de lutar por Angola

Vasco da Gama

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Faz algum tempo que o capitão-mor das palancas negras, Alcíbias Mayeco Akwá, traz às telas de todos nós ou outras plataformas de informação, a sua melancolia sobre o processo desportivo em que são partes a FIFA, o Qatar e ele mesmo.

Para refrescar, diz o homem, que “foi condicionalmente irradiado de toda a actividade futebolística, como consequência da sua ausência num dos jogos mais importantes da época da equipa que representava, no Qatar, patrocinada pelo Rei daquele País”.

Akwá, prossegue afirmando que o fez porque se encontrava em conflito de interesses: – A convocatória da selecção angolana (que na altura disputava o apuramento ao mundial de 2006, numa jornada decisiva) e a sua equipa que tinha pela frente um jogo da final da taça do Rei, daquele País.

Como bom patriota – seguidor dos ensinamentos do menino Ngangula – o capitão-mor terá colocado o nome da nação em primeiro lugar. Dito de outro modo, Angola terá soado mais do que uma equipa simples que embora sendo a sua entidade patronal não valia mais, na sua óptica, do que à sua bandeira e o hino nacionais.

Veio a Angola, viajou para Quigali, jogou, marcou, empurrou a equipa de todos a calcar o maior palco do futebol mundial (na Alemanha) e, no final, teve aquela dura sanção da FIFA resultante da queixa apresentada pela equipa que representava.

A multa, segundo Akwá, é avaliada em mais de duzentos mil dólares americanos e que, até hoje, mais de dez anos depois do mundial da Alemanha, não consegue pagar, daí “andar pelas ruas”, como um pedinte, a procura de um “cem noções” solidário.

Nestes termos, há que voltar ao tema do patriotismo. E, o que venha a ser patriotismo? O que é ser patriota, afinal de contas? Akwá foi ou não um patriota ao assumir consequências em nome do seu próprio País?

Para responder a estas questões dizemos que “patriotismo, do Grego patriotes (patrício) é o sentimento de orgulho, amor, devoção e devolução à pátria, aos seus símbolos (bandeira, hino, brasão, mitos históricos, riquezas naturais e patrimónios material e imaterial, dentre outros). Patriotismo é (acima de tudo) um sentimento de amor e respeito à pátria e aos seus símbolos. (neste sentido) ser patriota é sentir ardor com as coisas que fazem bem ao nosso País e indignar-se com todos os actos que denigram a sua imagem.

Com esta noção chegamos a conclusão que, efectivamente, o capitão-mor das Palancas Negras foi patriota ao tomar a decisão de representar Angola em detrimento da sua equipa. No entretanto, o patriotismo deve funcionar como uma faca de dois gumes, tanto vale para o patriota (cidadão) como tem de valer para o Estado que, para este efeito, deve retribuir esse amor de modos diferenciados.

Aqui, o Estado retribui considerando a sua devida representação, já que este, o Estado, enquanto elemento abstrato não age no seu formato conceptual. Precisa, sim, que o povo e o poder instituído façam, retribuam, em nome dele, aqueles que tudo fazem e/ou fizeram para a sua elevação.

Akwá, por exemplo, e considerando os factos que acima apresentamos, tudo fez em nome desta mesma pátria, a angolana, e no momento que precisa desta mesma pátria para, no mínimo, pagar a dívida que contraiu fruto do seu patriotismo e, por conseguinte, retomar o exercício de uma actividade ligada ao futebol, esta sua pátria que defendeu com unhas e dentes não aparece. Frustrado, angustiado, desiludido e tudo mais, Akwá está com às mãos atadas porque a terra que defendeu esqueceu dele.

É esta condição angustiante do homem que o próprio Estado passa uma mensagem de forma profilática a qual quem luta por Angola não espera nenhum reconhecimento e como consequência os cidadãos nada fazem sem a contrapartida que o Estado deve colocar à disposição dos seus filhos. (surge aqui a falta de patriotismo que hoje se propala muitas vezes)

Este comportamento, quer do Estado (enquanto actor primário nesta matéria) quer do cidadão (enquanto actor secundário nas acções anti patrióticas), arruína o sentimento nacional que se exige aos nativos de uma nação. Em fim, a Angola de hoje é aquela que tem que beneficiar de uma acção dos seus filhos tendo sempre uma contrapartida por cima da mesa sob pena de não ter o esforço destes.

No final de tudo isto o que se certifica é a ideia de que o capitão-mor das Palancas Negras, Alcíbias Mayeco Akwá, simboliza, hoje, o DESPERDÍCIO DE LUTAR POR ANGOLA, pois esta não agradece os seus filhos abnegados!

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