Crónica
2026: O ano em que não haverá escusas para o fracasso
Em Angola, o ano de 2026 não pede pressa. Pede lucidez. Depois de muitos ciclos marcados por expectativa, promessa e frustração, a vida colectiva parece sussurrar aquilo que a experiência individual já aprendeu nada acontece por acaso, mas nem tudo acontece no nosso tempo emocional.
Tal como nas leis silenciosas da vida, também o país é atravessado por encontros que não escolheu, mas de que precisa. Pessoas, crises, reformas adiadas, oportunidades mal aproveitadas e outras ainda por nascer. Não se trata de romantizar dificuldades, mas de reconhecer que cada momento histórico revela exactamente o nível de consciência com que estamos a operar. Angola, em 2026, encontra se num ponto em que já não pode fingir que não sabe. A ingenuidade já não é desculpa, e a maturidade deixou de ser opcional.
A primeira lição para este ano é compreender que os actores que hoje ocupam o espaço público governantes, gestores, líderes comunitários, empresários e cidadãos comuns não estão aí por engano. São reflexo directo do que o sistema tolera, incentiva ou ignora. Reclamar sem assumir responsabilidade é continuar a negar a função educativa do encontro. O desconforto social é um espelho, não um castigo.
A segunda exigência de 2026 é aceitar que o que aconteceu até aqui era o que podia acontecer com o nível de organização, ética e visão disponíveis. Angola não perdeu oportunidades por azar, mas por falta de estrutura interior colectiva planeamento frágil, instituições imaturas, cultura de improviso e dependência excessiva do curto prazo. Persistir no “podia ter sido diferente” sem mudar o modo de pensar é apenas prolongar o atraso.
O tempo, terceira lei, também não erra no plano nacional. As transformações profundas económicas, educativas e institucionais não acontecem por decreto nem por discurso inflamado. Acontecem quando há base humana, técnica e moral para as sustentar. Em 2026, o ideal não é fazer tudo, mas fazer o essencial com seriedade consolidar, qualificar, profissionalizar e avaliar. Crescer sem estrutura é cair mais à frente.
E há ainda a quarta lei, a mais dolorosa para Angola saber terminar ciclos. Terminar práticas administrativas ultrapassadas, discursos vazios, lideranças esgotadas, dependências mentais do passado e nostalgias que já não servem. Encerrar ciclos não é traição à história é respeito pela vida que continua. Um país que se agarra ao que já não funciona bloqueia o futuro antes mesmo de ele nascer.
O ideal para 2026 não é euforia é consciência. Não é promessa é coerência. Não é velocidade é direcção. Angola não precisa de mais barulho precisa de escuta. Escuta da realidade, dos números, das pessoas e dos sinais silenciosos que há muito insistem em ensinar.
Se este ano for vivido com responsabilidade interior individual e colectiva, então 2026 não será apenas mais um calendário. Será um ponto de viragem discreto, mas decisivo. Porque quando há escuta, a vida fala. E quando se aprende a ouvir, finalmente, começa se a caminhar.