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Tribunal decreta demolição de obras no Estádio 11 de Novembro

Redação

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O imbróglio e falta de respostas em torno da titularidade dos terrenos adjacentes ao estádio 11 de Novembro, noticiado pelo OPAÍS em Novembro último pode finalmente ser respondido hoje. Uma delegação governamental multissectorial, com a ministra da Juventude e Desporto à cabeça, desloca-se hoje ao local.

Ana Paula Sacramento desloca-se esta manhã à catedral do futebol angolano em companhia dos ministros do Interior, da Construção e Urbanismo, do vice-governador de Luanda para a Esfera Técnica e do representante do Instituto Província de Gestão urbana de Luanda, IPGUL. A visita cuja missão é “avaliar as reclamações da empresa Urbinveste que assume ser a proprietária dos terrenos adjacentes ao estádio” será igualmente presenciada por representantes daquela empresa do sector privado angolano, refere uma fonte conhecedora do dossier. Tal como referido na reportagem de Novembro o “retalho” dos terrenos continuou, mas a parte oculta era apurar na altura a identidade de quem liderava o projecto.

O vasto espaço delimitado do estádio 11 de Novembro com um muro de vedação à sua volta em alvenaria e pintado em creme está a ser “retalhado” no seu interior. Na ocasião foi possível vislumbrar novos muros que “confinavam” o estádio 11 de Novembro a um espaço reduzido. Por sua vez, o novo muro no interior do recinto era subdividido em pequenas parcelas, um facto indiciador da existência de novos projectos. O director do Estádio 11 de Novembro, Miguel Xisto, abordado pelo OPAÍS, admitiu a existência da obra que supunha ser uma iniciativa do proprietário para “fazer nascer novas infraestruturas que seriam agregadas ao estádio”. Miguel Xisto revelara que “não conhecia o autor da iniciativa de retalhar o perímetro do estádio”, mas estava seguro que não era o seu ministério.

O responsável revelou na altura que não lhe passara pela mesa de trabalho (nem que seja para conhecimento) qualquer projecto para ampliar serviços ou erguer surgir novas obras na infraestrutura. “Sabemos das obras mas nada passou por nós”, referiu Xisto em entrevista exclusiva a OPAÍS em Novembro. Na mesma altura, e em busca de esclarecimento, OPAÍS contactou uma fonte do Ministério da Construção que garantira também nada ter a ver com o que se passava no perímetro do estádio 11 de Novembro. “Como pode ver, o ministério construiu a infraestrutura e de imediato entregou-a ao departamento de tutela. Se tivermos de lá voltar, deverá ser para uma manutenção ou coisa parecida. Por enquanto, não temos nada a ver com o que se passa”, disse na altura a nossa fonte.

Uma longa novela

OPAÍS descobriu ainda que um grupo de camponeses alegava não ter sido justamente “ressarcido” pela titularidade do espaço que alegavam possuir. Diz-se que este grupo de camponeses reclama do estado “justa indeminização”. Terá sido por estas favas mal contadas que o pavilhão Arena foi, a última hora, deslocado para nova zona quando a intenção inicial era acoplá-lo ao 11 estádio de Novembro criando como que um complexo desportivo. Por altura da construção daquelas infraestruturas desportivas, um grupo tomado pelo oportunismo e com o simples propósito de “extorquir” recompensas do estado, “procurou inviabilizar os projectos” ora erguendo casebres e reclamando uma titularidade que nunca conseguiram provar. Em Novembro, não foi possível apurar a identidade de quem reclamava a titularidade dos terrenos. Hoje, sabe que trata-se da empresa Urbeinveste, cuja directora-geral é Isabel dos Santos, segundo uma noticia pública no site da Angop, a 14 de Abril de 2016. Trata-se da mesma proponente do plano metropolitano que se propõe requalificar a cidade de Luanda.

 

Fonte: Jornal o País

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