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15 de Março, 58 anos depois

Com a senha: “A filha do Sr. Nogueira casa amanhã.”, os independendistas angolanos atacam postos de administração e fazendas, propriedade de portugueses.

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Oito da manhã, 15 de março de 1961. “Mata, mata. UPA, UPA.” Há precisamente 58 anos, a União das Populações de Angola (UPA) desencadeava os primeiros ataques às fazendas e vilas coloniais no norte de Angola.

Neste massacre foram mortos e mutilados centenas de colonos brancos e também negros, nas fazendas do café, zonas dos Dembos, Negage, Úcua e Nambuangongo. Muitos foram mortos à catanada.

Os relatos sobre esse dia são muitos. “Em menos de 48 horas, pelos distritos do Zaire e do Uíge é a devastação maldita. Plantações e casas solitárias são saqueadas e incendiadas; aldeias são arrasadas; é posto cerco a vilas e pequenas povoações, cortando-se-lhes os abastecimentos; vias e meios de comunicação social ficam destruídos”, pode ler-se num excerto de Franco Nogueira no livro “Salazar Volume V – A Resistência”. Franco Nogueira faz “uma boa síntese” dos acontecimentos, segundo afirmaram recentemente os historiadores Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, autores de “Angola 61: Guerra Colonial, Causas e Consequências, o 4 de Fevereiro e o 15 de Março” (Texto Editora).

“O norte de Angola é avassalado por uma onda de brutalidade tribal, assassínios em massa, incêndios, destruições e rapina de haveres, violações de mulheres e crianças. Os tumultos espalham-se às plantações de café isoladas, aos postos de abastecimentos e às vias de transporte”, pode também ler-se no livro “A Guerra de África 1961 – 1974” de José Freire Antunes.

A carnificina – que tirou a vida a 800 portugueses e africanos – determinou o envio em massa de militares para Angola. Ou seja, o ataque da UPA fez com que se criasse um profundo movimento de revolta dos colonos brancos.

No mesmo dia dos ataques, António de Oliveira Salazar ordenou a partida de quatro companhias de caçadores para reforço da guarnição de Angola.

Esta data, que não mais será esquecida, veio marcar o início de uma guerra que Portugal viveu em Angola e que decorreu entre 1961 e 1974.

A 27 de abril desse ano, vários militares portugueses vingaram-se do que aconteceu. Este massacre foi tão sórdido como o primeiro: milhares de homens, mulheres e crianças foram mortos de formas brutais, muitos deles decapitados e queimados.

Aquando do massacre, a UPA era liderada por Holden Roberto que, nessa altura, se encontrava na sede da ONU, em Nova Iorque, onde os Estados Unidos votavam pela primeira vez contra a política colonial portuguesa. Apesar de ser acusado da brutalidade do que aconteceu, Holden nega. “Vi as imagens e não me agrada.” Chegou mesmo a dizer, anos mais tarde, num documentário da RTP, que estava chocado.

Culpado ou não, o seu nome ficará para sempre ligado à autoria destas mortes violentas que desencadearam a luta que só teve fim em 1975, pouco depois do 25 de Abril. Angola foi a última colónia portuguesa africana a conseguir a independência.

Em angola, esta efeméride foi instituída a 10 de Agosto de 2018 depois da aprovação, pelo Parlamento Angolano, da Proposta de Lei de Alteração à Lei dos Feriados Nacionais, Locais e Datas de Celebração Nacional.

Enquadrada nas datas de celebração nacional, o Dia da Expansão da Luta de Libertação Nacional serve para lembrar o ataque perpetrado por angolanos afectos ao embrião da União dos Povos de Angola (UPA) no Norte de Angola.

 

C/ Jornal i

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