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102 anos após morte de Mandume, Kwanhamas proclamam novo Rei

O acto solene de entronização ou coroação do novo rei, oriundo da comunidade tradicional de Ovakwayama, na província do Cunene, decorreu no Palácio do rei, recentemente construído, na vila de Oipembe, zona de Ondjiva, no sábado, 02 de Fevereiro de 2019.

Vasco da Gama

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O Reino do Ovakwayama vulgarmente conhecido por Kuanhama tem, agora, um novo inclino. O preenchimento da vaga deixada ocorre 102 anos após a morte do Rei Mandume Ya Ndemufayo em1917, líder dos kwanhamas, hoje divididos entre as repúblicas de Angola e da Namíbia.

Trata-se, no caso, de Jerónimo Haleinge, antigo vice-governador do Cunene, actualmente uma das figuras proeminentes daquela parcela do território angolano.

O Correio da Kianda sabe de fonte próxima ao processo que para a substituição do mais temido rei da África austral foram criadas várias comissões, uma encarregue de pesquisar e indicar as linhagens reais, potenciais à sucessão, tendo, para este fim, encontrado três linhagens que foram representadas no “conclave” típico às tradições e valores locais.

No entanto, consta também, que os Estatutos daquele reino estabelecem regras de sucessão e sobre esta matéria em concreto estatui que pode ser rei sucessor de Mandume uma figura pertencente à linhagem matrilinear (aquele que tenha nascido na família da mãe do Mandume, irmão, tio, sobrinho etc.) e na eventualidade de não existir mais ninguém nesta linhagem é que se recorre à linhagem patrilinear (os familiares nascidos do lado do Pai do rei Mandume), ou no caso em que existindo ambas as linhagens sucede aquele que melhor perfil reunir independentemente de vir da linhagem matrilinear ou patrilinear.

A mesma fonte faz saber que o rei ora entronizado é de linhagem patrilinear, eleito dentre os outros dois concorrentes, por mais de duzentos “delegados”, da comissão eleitoral seleccionados nas oito Comunas dos Municípios que compõem o reino dos kwanyamas, nomeadamente, Namankunde e Kwanyama, que do ponto de vista de abrangência, comportam populações de Angola e da Namíbia, mas que, segundo a nossa fonte, não podem ser vinculadas ao reinado do Cunene cidadãos namibenses por questões de soberania dos Estados, embora permaneçam relações de cooperação e de amizade. Faz saber.

Testemunhada por milhares de pessoas, de Angola e Namíbia, entre convidadas e populações de ambos os Países integrantes do reino e não só, a cerimónia decorreu num ambiente de bastante euforia, cor tradição que caracterizam aquele povo.

Governo diz não ao novo Rei

A entronização do rei de um dos maiores reinos de Angola e Namíbia saudada pelo Governo da Namíbia, por exemplo, não foi bem vista pelas autoridades angolanas, apurou o Correio da Kianda, de fonte ligada à organização do conclave. Conta que, embora o governo provincial tenha sido notificado e convidado ao evento não compareceu por motivos que até aqui não foram esclarecidos, referiu em remate.

“As autoridades governamentais locais e centrais, representadas superiormente pelo actual vice-governador do Cunene e do secretário de Estado do Ministério da Cultura, na companhia de toda a equipa de defesa e segurança, veio ter connosco no dia da entronização, que como deve entender, é um dia depois da eleição do rei. Chamaram-nos para um encontro e disseram que tínhamos que suspender o acto porque o governo não concordava com o mesmo. – Há orientações para que este acto tenha apenas lugar depois da aprovação da Lei das Autoridades Tradicionais em preparação” lamentou.

Questionado sobre se tinham desobedecido a orientação do governo a fonte referiu que não é bem assim, pois não tinham violado nenhuma Lei, pelo que saibam.

“não aceitamos a posição do governo por vários motivos: primeiro é que nós não sabemos quando a referida Lei vai ser aprovada, se é este ano, próximo ou dois mil e vinte e tal… segundo, é que para se constituir uma autoridade tradicional, como é o caso, não depende do governo porque o rei não é uma instituição governamental. É apenas um parceiro e que, no caso deste rei, tudo vai fazer para ajudar o governo a resolver os problemas da localidade.

Em terceiro lugar não vemos na Constituição e na Leiartigos que proíbam este acto.Logo, o que não é proibido é permitido, rematou! Em quarto lugar a comissão do governo veio numa altura em que nós já tínhamos feito tudo para a entronização. Matamos boys, fizemos compras com o dinheiro contribuído pelas populações e estas não aceitaram, por isso avançamos com o acto”. Fez saber, ao Correio da Kianda, uma fonte influente no processo que culminou com a entronização do substituto de Mandume.

Na procura dos motivos da rejeição das entidades governamentais este jornal procurou ouvir outra fonte a partir do Cunene e ficou a saber que Virgílio Chiova, actual governador terá partido para esta via supostamente por perceber que boa parte dos administradores municipais e directores provinciais que exonerou logo que chegou ao Cunene é apoiante da eleição e entronização do actual rei o que, segundo a fonte, colocaria em causa o apoio popular deste junto daquele reinado.

“O governador tem medo do novo rei e, por isso, tudo fez para impedir a sua entronização. Ele exonerou todos os administradores municipais e directores provinciais que encontrou e depois percebeu que estes têm no actual rei, aliás, que já foi vice-governador durante muitos anos, um prestígio inquestionável. Somente isso”. Comentou.

Recorda-se que Jerónimo Haleinge foi eleito e entronizado uma semana antes da data em que se comemora a morte do rei Mandume e que, o governo local realizou um simpósio internacional a respeito sem a presença do rei eleito, ausência que, dizem as nossas fontes, demonstra o não reconhecimento do governo.

Para ouvir a posição do governo do Cunene tentamos o contacto, ao telefone, com o governador, Virgílio Chiova, mas este não atendeu a nossa chamada.

Jerónimo Haleinge, agora rei da comunidade tradicional de Ovakwayama tinha sido nomeado vice-governador do Cunene, em 2010 e exonerado em 2012, por conveniência de serviço.

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